Quando podar? Como a poda influencia na frutificação

Todas as árvores frutíferas que fazem parte de nossa alimentação evoluíram em florestas, seja o café que veio da África, o cacau, nativo da Amazônia, a manga e citrus da Ásia etc.

As árvores quando foram trazidas para o convívio com o ser humano, não estavam sozinhas em seus lugares de origem, viviam e coevoluíram com florestas, com dezenas, centenas de outras espécies, em consórcios naturais.

Cultivar nossa frutíferas resgatando esse ambiente, nos obriga a entender como acontece a frutificação nesses lugares. Ernst Götsch desvendou esses mecanismos e mostrou que a poda desempenha um papel crucial.

Se buscamos recriar nossas florestas e torná-las produtivas, temos que entender esses mecanismos.

Neste filme, Ernst Götsch explica qual o melhor momento da poda para a indução floral de nossas árvores frutíferas. Uma aula pra ficar pra história.

Parte 1

Parte 2

Fonte: CEPEAS (YouTube)

Agricultores transformam deserto em floresta no Semiárido brasileiro

Uma mancha esverdeada se destaca na paisagem ondulada dos arredores de Poções, pequeno município no Semiárido baiano.

Ali, a profusão de cactos, suculentas e árvores da Caatinga contrasta com a pastagem degradada e os solos nus do entorno.

O responsável pelo “oásis” é o engenheiro aposentado Nelson Araújo Filho, de 66 anos.

Sentado na sombra de um umbuzeiro, Araújo conta que por muitos anos aquela área, que pertence a seu pai, abrigou roças de milho e aipim. Depois, virou pasto para gado.

Mas os anos de uso intensivo esgotaram o solo e o deixaram em vias de virar deserto — fenômeno que atinge cerca de 13% das terras do Semiárido brasileiro, segundo o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas.

Araújo começou a reverter o processo há três anos com a implantação de um sistema agroflorestal em 1,8 hectare, área equivalente a dois campos de futebol.

O método, que tem sido adotado em várias regiões brasileiras e do mundo, se espelha no funcionamento dos ecossistemas originais de cada região.

Araújo é “aluno” do suíço Ernst Gotsch, que migrou para o Brasil nos anos 1980 e é um dos principais difusores dos sistemas agroflorestais no Brasil.

Ele transformou sua propriedade de 500 hectares em Piraí do Norte (BA), antes muito degradada, em um exemplo de recuperação, levando muitas pessoas e até empresas multinacionais a procurarem Gotsch para ajudá-las em seus plantios.

Neste vídeo, nosso repórter João Fellet foi encontrar ambos no semiárido para mostrar como, nas palavras de Gotsch, é possível introduzir florestas e “plantar água” em terras em processo de desertificação.

Reportagem em texto:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59157682

Fonte: BBC News Brasil / YouTube

 

Curso de Meliponicultura (online)

Público

Pessoas que estão iniciando a atividade de criação de abelhas.

Objetivos de aprendizagem

  • Conhecer a biologia das abelhas sem ferrão
  • Conhecer e aprimorar as técnicas de manejo dessas abelhas
  • Possibilitar a pessoas interessadas na criação a iniciarem sua atividade, seja como forma de lazer ou como fonte de renda
  • Sanar dúvidas relacionadas à biologia e ao manejo dessas abelhas

Conteúdo e distribuição do curso

  • Módulo I: Quem são as abelhas sem ferrão?
  • Módulo II: Biologia geral das abelhas sem ferrão
  • Módulo III: Por que criar abelhas sem ferrão?
  • Módulo IV: Técnicas de manejo de abelhas sem ferrão.

Carga horária

12 horas

Período de realização

O participante terá 30 dias para conclusão do curso, a contar da data de sua inscrição.

Investimento

Gratuito

Mais Informações

Acesse o site do evento: https://www.embrapa.br/e-campo/meliponicultura

Ou envie um e-mail para: anibal.santos@embrapa.br

 

Fossa verde e círculo de bananeiras

Implantação de uma fossa verde ou tanque de evapotranspiração (TEVAP) para tratamento de águas negras, e círculo de bananeiras para tratamento de águas cinzas, exemplos de tecnologia social de saneamento rural.

O TEVAP consiste em um tanque (ou bacia) impermeabilizado onde o esgoto chega na parte baixa por dentro de uma fila de pneus coberta com entulho, depois brita, areia e terra. Na parte de cima do tanque devem ser plantadas espécies de folhas largas com a função de evapotranspiração, e consequente filtração final, da água do sistema.

Portanto, a água do esgoto passa por um processo de tratamento a partir da filtração física (entulho, pedra, areia) e biológica (bactérias anaeróbicas que naturalmente aparecem no sistema); e a matéria orgânica decomposta e os sais minerais liberados servem como adubo para as bananeiras e outras plantas.

As folhas e frutos produzidos nesse canteiro-fossa podem ser consumidos sem problemas. Não se recomenda a ingestão de raízes.

Á água que sair pelo dreno superior desse sistema deve entrar num sistema de tratamento de águas cinzas como, por exemplo, um círculo de bananeiras.

Obs: O TEVAP também é conhecido como fossa ecológica, fossa de bananeiras ou bacia de evapotranspiração (BET).

Atividade integrante do Subprojeto Conexão Bananal (Projeto Conexão Mata Atlântica), na ferramenta de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), executado pela PLURAL Cooperativa de Consultoria, Pesquisa e Serviços.

Fonte: Plural Cooperativa / YouTube

Confira os ganhadores da promoção “Ganhe um livro”

É com muita satisfação que o ECOAGRI divulga a lista dos 15 sorteados na promoção “Ganhe um livro”.

Cada um receberá de presente o ótimo livro “Agricultura Sintrópica segundo Ernst Götsch”.

  • Aline Ramos
  • Beatriz Horongoso
  • Cintia Souza
  • Gustavo César
  • Isabel Modercin
  • Joice Reis
  • Junia da Silva
  • Marco Pimentel
  • Marcos de Paula
  • Maria Cecília do Amaral
  • Nelson Madalena Junior
  • Rodrigo Libera
  • Rui da Silva
  • Samia
  • Walquimaria Ribeiro

Entraremos em contato com todos via e-mail e Whatsapp para que nos informem o endereço de entrega!

O ECOAGRI agradece imensamente a todos que participaram dessa campanha!

Meliponicultura: criação de abelhas nativas

Criação de espécies de abelhas nativas sem ferrão em caixas de madeira para a produção de mel, própolis, e a promoção de serviços ecossistêmicos.

As abelhas nativas têm um papel fundamental na polinização e, portanto, na conservação da mata atlântica. A polinização dessas abelhas também aumenta a produtividade de cultivos agrícolas como, por exemplo, o café.

Com o manejo correto da criação é possível aumentar e produzir novas colmeias de diversas espécies como a mandaçaia, uruçu, jataí, e mandaguari.

A meliponicultura é uma atividade sujeita à legislação de manejo de fauna silvestre, que define os procedimentos para obtenção de autorização para manejo, cadastramento de plantel, e autorização para instalação de ninhos-isca.

Para maiores informações sobre Cadastramento de Meliponários, acesse www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/cfb/2021/03/cadastramento-de-meliponarios/

Atividade integrante do Subprojeto Conexão Bananal (Projeto Conexão Mata Atlântica) na ferramenta de CVS (Cadeia de Valor Sustentável) executado pela PLURAL Cooperativa de Consultoria, Pesquisa e Serviços (www.pluralcooperativa.com.br)

Filmado em maio de 2021, no Sítio Figueira, Bananal, SP.
Direção & Fotografia: Beto Campos
Edição: Adriana Borges
Música: Suzana Vaz
Agradecimentos: Maria Antonia Lacerda & Suzana Vaz (trecho de duo barroco de flautas, compositor Telleman)

Fonte: Plural Cooperativa

Jardim Botânico Agroflorestal

Apresentamos aqui uma experiência de reflorestamento e agroecologia nos últimos 7 anos em Tarumã (Bananal, SP), transformando uma paisagem de pastagem em áreas de produção de alimentos.

Nessa primeira fase foram plantadas mais de 3 mil mudas de árvores, entre as quais, palmeiras e frutíferas nativas da Mata Atlântica, assim como muitas espécies pioneiras rústicas como ingá, guapuruvu, suinã, angico, ipês, aroeira, além de espécies ameaçadas de extinção.

O Jardim Tarumã tem os seguintes objetivos:

  1. Integração entre conservação e produção de alimentos
  2. Acervo botânico com matrizes de produção de sementes
  3. Resgate de espécies nativas, sobretudo palmeiras e frutíferas
  4. Criação de um espaço interativo de educação e trocas de conhecimento

Fonte / Mais informações em: Tarumã Agroecologia

 

Agricultura Sintrópica mecanizada em larga escala

Neste filme (produzido pelo CEPEAS) são apresentados os pré-protótipos criados por Ernst Götsch com o objetivo de complexificar os sistemas de produção convencionais, os quais sendo muito pobres em biodiversidade, apresentam uma baixa resiliência.

Segundo Ernst, quando criamos agroecossistemas complexos acima de 500 hectares, que imitam as florestas originais do lugar, podemos mudar o regime hidrológico da região atingida e o seu entorno, trazendo as chuvas de volta para esse lugar. E tão importante quanto as chuvas, é o retorno dos microrganismos, os quais alimentados pelos exsudatos das raízes de nossas árvores e das outras plantas introduzidas, trazem de volta o equilíbrio de uma biocenose saudável no nosso solo, criando alças de feedback de reforço positivo: mais microvida no solo, mais nutrientes para nossas plantas, maior crescimento vegetal, mais carbono no solo, mais alimento para a microvida, mais microvida no solo, etc.

Fonte: CEPEAS

 

Francisco Roberto Caporal

O ECOAGRI lamenta o falecimento do professor Francisco Roberto Caporal, um dos precursores e destacados pesquisadores dos estudos sobre a Agroecologia no Brasil.

Francisco Roberto Caporal

Ele era uma das maiores referências nos estudos da Extensão Rural. Caporal coordenava o Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFRPE e a Radioweb Agroecologia além de ser Professor Adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco, junto ao Departamento de Educação, dando aulas na disciplina de Extensão Rural.

Nascido no Rio Grande do Sul, o docente se formou em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria – RS e Doutor Engenheiro Agrônomo, pela Universidad de Córdoba – Espanha (1998) e Mestre em Extensão Rural, pela Universidade Federal de Santa Maria (1991).

Ocupou cargos como diretor técnico da EMATER-RS e diretor substituto do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural e Coordenador Geral de Ater e Educação, ambos na Secretaria da Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Discurso de Francisco Roberto Caporal, na Abertura do VII Congresso Brasileiro de Agroecologia (Dez/2011)

Parte 01

Parte 02

Fonte: Cbagroecologia2011

Podcast “Fala, Professor!”, da Rádio Web Agroecologia (NAC-UFRPE)

Fonte: Rádio Web Agroecologia

 

Como manejar um pomar agroflorestal

Quando semeamos as árvores em alta densidade é fundamental saber manejá-las quando começam a crescer. Como Ernst Götsch diz: 5% é esforço de plantio, 95% é esforço de manejo, ou seja, se não fizermos as podas do agroecossistema no tempo correto, perdemos a dinâmica do sistema, começam a surgir tensões, sobreposição de copas e as árvores começam a entortar.

Para podarmos corretamente é fundamental sabermos o estrato que a árvore ocupa quando adulta e seu ciclo de vida. De forma geral as árvores que vivem menos tempo criam as árvores que vivem mais tempo.

Outro ponto importante é no dia zero semearmos árvores de todos os estratos e ciclos de vida, assim não ocorrem vazios nos estratos e na sucessão das espécies, caso contrario teremos o aparecimento de matos indesejados e surgimento de doenças e insetos que se tornam pragas.

Fonte: CEPEAS

 

Pesquisa com algodão e soja – Instituto Nova Era

A área experimental para grãos da fazenda Painal, implantada em dezembro de 2019, é um campo de testes destinado à pesquisa.

Dezesseis meses após a fase de implantação, várias espécies de árvores nativas, exóticas e madeireiras dividem espaço com culturas anuais e de inverno.

Divulgação INE

Atualmente, dois experimentos estão em fase de teste, algodão e soja. Os plantios dos grãos têm capim mombaça nas entrelinhas.

Todos os dados desses consórcios entre grãos e as espécies arbóreas vem sendo coletados para ajudar nas pesquisas agronômicas.

Divulgação INE

Os experimentos estão sob a supervisão de Ernst Götsch e coordenação da equipe de campo do Departamento de Meio Ambiente e Agriculturas Regenerativas, do Instituto Nova Era.

Um mês atrás as copas dos mamões foram podadas para passar a informação de crescimento ao sistema.

Divulgação INE

Repare que os frutos, apesar da poda, estão sadios e intactos, o mamoeiro já começa a rebrotar demonstrando suportar sem estresse o manejo.

Local: Fazenda Painal, Cravinhos/SP
Projeto: Área experimental para grãos
Departamento: Meio Ambiente e Agriculturas Regenerativas
Fotos: Divulgação INE

Mais informações e fotos em: Instituto Nova Era

Agricultura sintrópica e o capitalismo

A natureza tem nos ensinado que não há relação da agricultura sintrópica com o capitalismo ou com o socialismo. Os novos modelos de economia deverão se pautar por agrossistemas produtivos biodiversos, justos e que reconectem o ser humano com o planeta e suas várias formas de vida.

Fonte: Agenda Gotsch / Facebook

Live – Projeto Beija-Flor / Cedro australiano

 

Ricardo Steinmetz Vilela

  • MBA em Gestão Florestal
  • Sócio diretor da Bela Vista Florestal
  • Referência internacional em Cedro australiano, desenvolvendo o único projeto de pesquisa e melhoramento genético com a espécie
  • Presidente da ProCedro – Associação Brasileira de Produtores de Cedro Australiano
  • Presidente da ABPMF – Associação Brasileira dos Produtores de Mudas Florestais
  • Produtor de mudas com o Viveiro Bela Vista
  • Produtor Florestal de cedro e eucalipto em MG

Mediadores:

  • Adilson Pepino
  • Andreza Mendonça
  • Alan Miotti

Fonte: Projeto Beija Flor da Amazônia Produzindo Água

Live – Espécies nativas para propriedades rurais

Live realizada em 23/07/2020 e promovida pelo Projeto Beija Flor da Amazônia Produzindo Água, com a participação de Moacir Medrado.

Moacir José Sales Medrado

  • Mestrado e Doutorado – Agricultura / ESALQ – USP
  • Especialização – Planejamento Agricola SUDAM/SEPLAN
  • Cursos Avançados: Sistemas Agroflorestais / ICRAF e Manejo de Agroecossitemas – CIDIAT
  • Assistência Técnica e Extensão Rural: ACAR RO 1972 a março de 1976
  • Pesquisa Científica – Embrapa Rondônia de 03/1976 a 08/1992 e Embrapa Florestas 08/1992 a 10/2009
  • Consultor em Floresta e Agrofloresta na Medrado e Consultores Agroflorestais (MCA)
  • Avaliador do primeiro ano do Programa ABC contratado por MAPA-CNA-Embaixada Britânica
  • Elaborador da Primeira Cartilha do Programa ABC – CNA contratado por MAPA-CNA-Embaixada Britânica
  • Consultor do BID no Projeto RURAL SUSTENTÁVEL – Amazônia e Mata Atlântica
  • Consultor Sênior do Projeto ABC Cerrado – Fase de treinamento de Profissionais da Assistência Técnica
  • Consultor da Fase de Elaboração do Projeto Biomas – EMBRAPA/CNA Contratado pela CNA
  • Instrutor de Cursos em EAD do SENAR NACIONAL
  • Proprietário da Medrado e Consultores Agroflorestais Associados Ltda.

 

Fonte: Projeto Beija Flor da Amazônia Produzindo Água

Live – Agroflorestas Brasileiras / reNature

Séria de Lives AGROFLORESTAS BRASILEIRAS

No primeiro vídeo da série AGROFLORESTAS BRASILEIRAS entrevistamos @felipebvillela que é CEO e cofundador da RENATURE, empresa holandesa criada, em 2018, que promove o uso de práticas agrícolas sustentáveis, conhecidas como Sistemas Agroflorestais Sustentáveis (SAFs). Com o método, pode-se restaurar a natureza por intermédio de prática agrícola, em um equilíbrio natural, ou seja, preservando o ecossistema.

A reNature conta com uma equipe especializada no assunto e, por meio de consultoria, analisa os melhores modelos agroflorestais; ajuda no planejamento do plantio e no monitoramento de impacto ambiental, entre outros. Hoje, a reNature oferece quatro serviços, entre ele: a implantação de fazenda-piloto, ou seja, uma área de terra, entre um e 10 hectares com modelo agroflorestal; uma “escola modelo” para empresas que já adotam o sistema e que desejam replicá-lo via capacitação de seus agrônomos e agricultores.

Países onde a Renature tem atuado: Brasil, Chile, Indonésia, Índia, Quênia, México, Malásia, Ruanda, Tanzânia e Uganda.

AGROFLORESTAS BRASILEIRAS é uma série de lives voltada para mostrar as experiências agroflorestais que estão acontecendo no Brasil, vamos trazer Sítios, Fazendas e Empresas que estão trabalhando com esses sistemas, experiências com diferentes focos de produção, em diferentes biomas e com tamanhos de área variáveis.

Live gravado no dia 04/06/2020 no perfil do Instagram da Ecoar Sintropia.

www.ecoarsintropia.com

 

Live – Projeto Beija Flor/Debate Florestal

Cleverson Carvalho, Eng Florestal no estado do Acre, promoveu este debate ambiental em prol de conscientizar as pessoas e poder público da importância em preservar, conservar e revitalizar as nascentes degradadas.

O bate-papo contou com a participação especial do Consultor Florestal Adilson Pepino, que apresentou o projeto Beija Flor da Amazônia, modelo de revitalização .

Fonte: Projeto Beija Flor da Amazônia Produzindo Água

 

Agricultura Sintrópica – Água se planta

Confira essa fantástica série produzida pelo CEPEAS (Centro de Pesquisa em Agricultura Sintrópica).

Episódio 1 – Florestas, a pele do planeta

Introdução e primeiro episódio da série Água se planta, plantando florestas a partir de hortaliças. Por que as florestas possuem um papel tão importante em todo o ecossistema do planeta?

Episódio 2 – Escolha da área para plantio

Nesse episódio saímos em busca da melhor área para iniciarmos nossa floresta com o plantio das hortaliças, com base em análise da compactação do solo e a vegetação estabelecida no local.

Episódio 3 – Por que a Agricultura Sintrópica funciona?

A Agricultura Sintrópica funciona em qualquer clima, em qualquer bioma, em qualquer lugar que já foi floresta um dia. Na verdade, segundo Ernst Göstch, é possível aplicar os mesmos princípios até no mar, na criação de florestas de algas. Simplesmente estamos buscando copiar o que a natureza faz a milhares de anos, talvez essa seja a maior contribuição de Ernst Göstch à humanidade, ter desvendado princípios, instrumentos e estratégias que a natureza usa para fazer a vida prosperar.

Episódio 4 – Técnica 1: Foco na fotossíntese

Neste episódio procuramos mostrar como podemos otimizar a fotossíntese em nossos agroecossistemas. Para isso é fundamental plantarmos em estratos, incluindo árvores de todos os ciclos de vida e impulsionando seu crescimento por meio do manejo. Temos que manejar nossas plantações. Como Ernst Götsch diz: 5% é esforço de plantio, 95% é esforço de manejo, mais importante que a porcentagem de sombra em cada estrato, são os distúrbios calculados que provocamos com as podas. Entendendo esta técnica, focando na fotossíntese, nos preparamos para as seguintes, das quais a poda é uma das técnicas fundamentais da agricultura sintrópica.

Episódio 5 – Técnica 1: Foco na fotossíntese (Parte 2)

Continuando na técnica 1 – Foco na Fotossíntese, mostramos aqui um pouco da nossa experiência plantando no Cerrado. Partindo da placenta 1, passando por sistemas com 1 e 5 anos de idade, nossos erros e acertos.

Episódio 6 – A dinâmica da sucessão natural na Agricultura Sintrópica

Neste episódio veremos a técnica 2 – Solo coberto, plantando em alta densidade e a técnica 3 -A sucessão natural como ferramenta fundamental da agricultura sintrópica. Esta última técnica é um dos marcos da agricultura sintrópica, pois graças a ela temos um instrumento capaz de dar direção ao sistema, que nos indica o caminho e nos mostra onde queremos chegar. Entender a sucessão natural é o caminho mais curto entre sistemas de colonização e sistemas de abundância. Ela é a chave que vai nos dar autonomia e independência em relação ao uso de insumos externos, por meio das podas no tempo correto, aceleramos a sucessão natural e estabelecemos sistemas que podem sustentar mamíferos de porte grande, como nós.

Episódio 7 – Como concentrar energia e gerar biomassa de forma eficiente

Aplicando esta técnica corretamente, iremos avançar mais rápido através dos sistemas de acumulação. Comece trabalhando com as plantas mais conhecidas e vá aos poucos aumentando seu repertório, testando consórcios, procurando por plantas nativas que crescem bem em solos parecidos com o seu. No início, se começarmos com insumos, podemos utilizar biofertilizantes, como forma de auxiliar as plantas mais exigentes a equilibrarem os nutrientes, para isso indicamos o livro, Agroecologia 7.0, de Sebastião Pinheiro, especialmente o capítulo XIII – Biofertilizantes (bioplasmas). A fermentação potencializa os micronutrientes, com isso podem ser usadas diluições de 0,1 a 5%, pois o efeito hormonal das substâncias sintetizadas pelos microrganismos é muito grande.

Episódio 8 – Capina seletiva e poda

Neste episódio, dentre as técnicas abordadas, a poda se destaca como a principal ferramenta para acelerar a sucessão natural. Como diz a jornalista Dayana Andrade, ela é o motor das transformações. Sem a poda, nossos agroecossistemas ficam envelhecidos e deixam de produzir. Além de conhecer as espécies com que estamos trabalhando, é fundamental saber podar.

Episódio 9 – Tentar enxergar o que cada ser está fazendo de bom

Neste episódio, chegamos ao final da apresentação das técnicas criadas por Ernst Götsch. A oitava técnica – “Tentar enxergar o que cada ser está fazendo de bom” – é, sem sombra de dúvida, a técnica mais difícil de implementarmos, pois ela exige mais que a compreensão intelectual, ela requer a substituição do paradigma da matança, pelo paradigma da cooperação e amor incondicional. Tal mudança necessita o estabelecimento de uma nova cultura e para mudarmos nossa cultura necessitamos mudar valores que estão, poderia-se dizer, quase que impressos em nosso DNA, em virtude de séculos e séculos onde tratamos o microcosmos como algo a ser destruído. O primeiro passo é a compreensão intelectual, entender quais são os princípios que regem o funcionamento do planeta. O segundo passo é abrir espaço em nossa mente e testar esse princípios por meio da prática, criar agroecossistemas onde podemos refletir sobre nossos erros e acertos, tendo essa nova cultura como alicerce do pensamento.

 

Para mais informações: cepeas.org

 

Ferramentas de preparação do solo

Da aeração do solo ao transplante de mudas. Conheça cinco eficientes ferramentas de preparação do solo, projetadas para pequenos agricultores e jardineiros.

Vídeo (em inglês):

 

Agrofloresta – Cooperação e Educação

Um número cada vez maior de jovens tem encontrado na agricultura regenerativa um sentido mais genuíno para o aprendizado, a busca pelo conhecimento e as ações que constroem alternativas autônomas, resilientes e interdependentes para um futuro cada vez mais incerto.

Vídeo produzido por integrantes do programa de voluntariado e estágio da Holos Regenerative Design (Austrália), Pedro Goldgrub, Giulia Furtado, Leonardo Barbieri e o cinegrafista André Adur.

Fonte: Canal Eurico Vianna / Youtube

Produtores rurais colocam em prática tecnologias agropecuárias sustentáveis no vale do Rio Doce

Produtores rurais da região de Mariana (MG) estão se tornando protagonistas de uma transformação nos modelos de produção agropecuária que pode servir de modelo para Minas Gerais e para o Brasil. Sistemas agroflorestais (SAFs), manejo de pastagem ecológica (MPE) e silvicultura de espécies nativas com finalidade econômica vêm sendo implementados em municípios da bacia do Rio Doce que foram atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015.

Plantio de espécies nativas é elemento comum em silvicultura com fins comerciais, sistemas agroflorestais e manejo de pastagem ecológica (Fotos: Daniel Hunter/WRI Brasil)

Maria Dominiguite é moradora de Ponte Nova, próximo de onde os rios Carmo e Piranga se unem dando origem ao Doce. Em sua propriedade, a horta de produção abundante é sombreada por coqueiros e mangueiras. Sempre cultivou de tudo. Em 2019, começou a reorganizar o quintal em um SAF que vai abranger meio hectare.

Na propriedade de Maria, o SAF foi implantado recentemente em uma área inclinada, antes sujeita à degradação e à erosão. No início, o sistema não impressiona pela beleza. Com o tempo, a cobertura vegetal e arbórea vai tornar a área produtiva e mais resiliente sob chuvas fortes, comuns na região.

Mandioca, jiló, abóbora, coco, mamão, feijão, quiabo, couve, pimenta, salsa e amendoim crescem junto a árvores como mangueiras, limoeiros e ipês. Além da diversificação de espécies arbóreas e agrícolas, o SAF inclui manejo (carpinas, plantios, podas) que otimiza a produção econômica e as funções ecológicas nas áreas.

As grandes mangueiras foram podadas, equilibrando sombreamento e insolação de acordo com as espécies plantadas nas proximidades. “Olha a jabuticaba. Olha quanto cacau! Tem que cortar um bocado de coisa mesmo”, pondera Dona Maria, que tem aprendido como o emprego de podas pode beneficiar todo o sistema.

Alisson Patricio Cota espera que seus cacaueiros também produzam assim. Morador de Santa Bárbara, ele iniciou uma agrofloresta com espécies da Mata Atlântica na propriedade da família em Barra Longa. Jatobás, cotieiras, sapucaias, cacau e siriguelas crescem em consórcio com mandioca, banana e abacaxi.

Em uma parte mais alta da propriedade, a silvicultura de espécies nativas para finalidade econômica começa a ganhar forma. Despontam espécies pioneiras plantadas no início de 2019, que garantirão insolação e solo mais propícios para as recém-plantadas mudas de espécies arbóreas de alto valor comercial.

A silvicultura permite ao produtor plantar árvores para, no futuro, colher madeira de lei de qualidade sem recorrer ao desmatamento de áreas naturais. Espécies de alto valor como jequitibá-rosa, ipê felpudo, angico vermelho e vinhático levam décadas para crescer e são uma poupança para daqui a 20 ou 30 anos.

À medida que as mudas se desenvolvem, capturam carbono, favorecem a absorção da água pelo solo e evitam o assoreamento dos rios. Alisson vislumbra um futuro em que seu vizinho, dono de pastos degradados, também aderisse à silvicultura de espécies nativas. “A nascente ia aumentar muito”, aposta

Na propriedade de José Geraldo Carneiro, a principal nascente já foi cercada e forma um pequeno lago. A segunda maior está na fila. O cercamento impede que o gado pisoteie as áreas e prejudique a qualidade e a quantidade de água.

Também em Barra Longa, o Sítio da Onça tem despontado pela produção de leite. Vagner Carneiro, filho de José, comemora: o acesso a tecnologias de reprodução, aliado ao manejo de pastagem ecológica (MPE), tem aumentado a produtividade. Uma vaca foi premiada recentemente por dar 39 litros em um dia.

O MPE parte do reconhecido método Voisin incrementado com cercamento elétrico de baixo custo (o produtor aprende a construir e manter cerca e dispositivos). A técnica Voisin consiste na rotação diária do gado por piquetes: enquanto pastejam em uma quadra, a vegetação nas demais se recupera.

Com o cercamento recém-finalizado, a propriedade dos Carneiro já mostra a contribuição do MPE para a qualidade do pasto. O recomendado pelo método Voisin é que o gado fique até um dia em cada piquete, mas os animais não têm dado conta de comer tanto, e o pasto recém-liberado segue pleno de capim.

Sobre as iniciativas

Os SAFs, MPE e silvicultura de espécies nativas de Dona Maria, Alisson, José e Vagner são parte de 25 unidades demonstrativas (UDs) instaladas em 22 propriedades rurais nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado. O trabalho é resultado de uma parceria entre WRI Brasil, Fazenda Ecológica e Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (ICRAF) com a Fundação Renova, organização responsável por implementar as ações de compensação e restauração na região afetada pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

Produtoras e produtores foram selecionados levando em conta o interesse demonstrado nas práticas sustentáveis e a disponibilidade em participar de capacitações e receber visitas de técnicos que fazem o acompanhamento da implementação. Compreendendo uma área total de cerca de 150 hectares, as UDs são “sementes”: têm por objetivo disseminar as boas práticas agrícolas, silviculturais e pastoris na região, mostrando que, além de restaurarem paisagens, geram renda para o produtor – e podem ser replicadas não só por produtores da região, mas de todo o Brasil.

Saiba mais na página do projeto Renovando Paisagem.

Fonte: WRI Brasil

A ciência mostra as vantagens da agrofloresta e dos plantios mistos para a restauração

Entre 30 de setembro e 4 de outubro de 2019, especialistas do mundo inteiro se reuniram em Curitiba, Paraná, para o maior encontro da ciência florestal do mundo. Trata-se do Congresso da Iufro, a União Internacional das Organizações de Pesquisa Florestal (International Union of Forest Research Organizations), que acontece a cada cinco anos e pela primeira vez foi realizado no Brasil. O próximo, previsto para 2024, será em Estocolmo, Suécia.

No Congresso deste ano, dois temas se sobressaíram em meio aos debates técnicos, científicos e políticos feitos pelos pesquisadores. Um deles foi o da agrofloresta, a técnica de integrar intencionalmente as árvores em meio a lavouras ou pasto. Cientistas de várias partes do mundo apresentaram modelos diferentes e interessantes de Sistemas Agroflorestais (SAFs), mostrando que florestas e lavouras podem conviver harmonicamente.

Sistema Agroflorestal (SAF) em Juruti, Pará (Foto: WRI Brasil)

Outro tema de destaque foi o do plantio misto – a ideia de usar mais de uma espécie numa plantação de silvicultura. Uma técnica que pode melhorar a produtividade das florestas plantadas e resultar em plantações para fins econômicos que tenham mais biodiversidade.

Agrofloresta no mundo todo

O aumento do interesse de cientistas por pesquisas sobre sistemas agroflorestais vem em um momento em que a agrofloresta está em evidência. Em agosto, por exemplo, estudo do painel de cientistas que avaliam os impactos das mudanças do clima, o IPCC, identificou o plantio em sistemas agroflorestais como uma das medidas mais interessantes para adaptação climática.

Na edição deste ano da Iufro, diversos pesquisadores apresentaram modelos diferentes e inovadores de SAFs. Chama a atenção o fato de haver experiências em locais muito diferentes do mundo: além do Brasil, foram relatadas pesquisas em países africanos, assim como Austrália, Colômbia e Costa Rica. Também chama atenção as vantagens e benefícios relatados pelos pesquisadores.

A pesquisadora americana Susan Stein, da agência de agrofloresta dos Estados Unidos, um órgão do Departamento de Agricultura, apresentou um estudo em que identificou mais de 30 mil agricultores produzindo em sistemas agroflorestais nos EUA. A pesquisa dela mostra que os SAFs estão gerando importantes benefícios para esses produtores, como qualidade da água, sequestro de carbono, aumento da biodiversidade e conservação do solo.

Os Sistemas Agroflorestais também mostram vantagem econômica em diferentes paisagens do mundo. Um trabalho do pesquisador Alvaro Sotomayor, do Instituto Forestal, do Chile, identificou que, na Patagônia chilena, sistemas agroflorestais desenvolvidos para que as árvores reduzam o impacto do vento na produção de grãos fez com que a produção aumentasse em até 40%. Somado a produtos não-madeireiros que as árvores fornecem, como frutas e castanhas, esses SAFs podem aumentar a produção agrícola e complementar a renda do produtor.

Também foram apresentados diversos modelos de agrofloresta no Brasil. O WRI Brasil, representado no Congresso pelos pesquisadores do programa de Florestas, trouxe para a comunidade de cientistas florestais a experiência que vem sendo desenvolvida em Juruti, no Pará. Nessa comunidade, famílias plantam árvores em um sistema em consórcio com a mandioca, principal sustento da região. A agrofloresta em Juruti ajuda a diminuir o uso do fogo na agricultura amazônica e ainda amplia a segurança alimentar e nutricional das comunidades atingidas.

Plantios mistos

Outro ponto que está atraindo interesses dos pesquisadores da área de florestas é o do plantio misto. Atualmente, o tipo mais comum de reflorestamento para a silvicultura é a monocultura. Novas pesquisas estão mostrando que introduzir mais espécies num plantio de reflorestamento para madeira, por exemplo, pode fazer sentido tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

O projeto VERENA, do WRI Brasil, busca pesquisar e analisar a viabilidade econômica e ambiental da restauração. Um dos pontos identificados pelo projeto é que o plantio misto de espécies possui vários benefícios – além de aumentar a biodiversidade, espécies diferentes tem tempos de crescimento diferentes, permitindo que o produtor colha e obtenha renda em curto, médio e longo prazo.

Ainda há muitas lacunas de conhecimento científico sobre os plantios mistos – especialmente quando estamos falando de espécies nativas brasileiras. Durante a Iufro, o WRI Brasil aproveitou a importante discussão sobre plantios mistos e lançou o estudo Research Gaps and Priorities in Silviculture of Native Species in Brazil. O trabalho aponta a necessidade de se investir em pesquisa & desenvolvimento para espécies nativas como forma de impulsionar a silvicultura e ajudar o Brasil a atingir a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

Fonte: WRI Brasil

 

Ana Primavesi – Vida na terra

Ela mantém uma relação intima com a terra e a natureza, procurando diagnosticá-la a partir do seu cheiro e da sua textura para observar o equilíbrio dos seus nutrientes. E há décadas promove ensinamentos sobre a importância do solo como um organismo vivo e integrado à natureza e que é responsável pela geração da vida e do alimento saudável para os povos.

Essa é a engenheira agrônoma e escritora, Ana Primavesi, uma das responsáveis pelos avanços nos estudos sobre o manejo ecológico do solo e sua difusão, se tornando a pioneira da agroecologia no Brasil e na América Latina.

Ela foi a primeira mulher, em um ambiente científico dominado por homens, a defender que o solo é um ser vivo, e que a própria vida das pessoas, é propiciada pela vida do solo. Também desempenhou papel importante para que a agroecologia fosse pensada como uma ciência e, ao mesmo tempo, considera um saber popular, que vem sendo praticado há séculos pelos camponeses, e atualmente reapropriado e resignificado, na produção de alimentos saudáveis e vivos, sem o uso de agrotóxicos e defensivos químicos.

 

 

Instituto AUÁ abre Edital de Chamamento para Pesquisadores

Com o objetivo de aumentar interesse de pesquisadores sobre frutos nativos da Mata Atlântica, o Instituto AUÁ vai selecionar e contratar via bolsa mensal dois pesquisadores interessados nos frutos das espécies nativas da Mata Atlântica, no âmbito do projeto Rede de Produtores de Cambuci e Nativas da Mata Atlântica – 17.223 do ECOFORTE – FBB.

Saiba mais em:
http://institutoaua.org.br/instituto-aua-abre-edital-de-chamamento-para-pesquisadores/

Plantar florestas para estimular o crescimento

Daniela Xu / Agencia RBS

Produtores usam modelos de restauração que geram renda e protegem o meio ambiente.

O papel que as florestas exercem para o meio ambiente e bem-estar humano já é bem conhecido pela ciência. Elas revitalizam o solo, protegem nascentes e corpos d’água cruciais para o abastecimento humano, e retiram carbono e poluição de atmosfera, entre os muitos benefícios. A importância é tamanha que o próprio Estado brasileiro se comprometeu a não apenas reduzir o desmatamento, como também restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

Apesar disso, o Brasil ainda enfrenta dificuldades em conservar e reflorestar. Um dos principais gargalos é justamente o do financiamento. A restauração florestal custa dinheiro. Com o país enfrentando uma severa crise econômica, com riscos de recessão, por que colocar recursos no plantio de árvores?

Produtores rurais, empresários e iniciativas em todo o mundo mostram que essa contradição não existe mais. É possível plantar florestas nativas e sistema agroflorestais e, a partir delas, movimentar a economia, gerando renda para o produtor rural e, consequentemente, aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Temos um grande potencial de aumentar a participação da economia da floresta em sua economia. Vejamos, por exemplo, o caso da Finlândia. No país, a cadeia de florestas produtivas responde por um quarto do PIB. Enquanto isso, no Brasil, o setor florestal corresponde a apenas 1%, puxado principalmente pelo setor de celulose. Temos claramente uma oportunidade econômica a ser aproveitada com nossas espécies nativas.

O primeiro passo para impulsionar nossa economia florestal está em dar atenção para a imensa quantidade de áreas degradadas em todo o país. Segundo a Embrapa, o Brasil tem pelo menos 30 milhões de hectares de pastagens desgastadas com baixa aptidão agrícola que poderiam ser convertidos em florestas. Ao todo, estima-se que 140 milhões de hectares já não ofereçam condições de uso econômico, seja por degradação ou erosão. É como se o Brasil jogasse fora uma área superior a todo o território do Peru. É a mesma falta

de juízo econômico de abrir uma nova indústria do zero quando já se tem fábricas prontas, mas cujas máquinas apresentam problemas de produtividade.

Como podemos transformar áreas degradadas em territórios produtivos, com espécies nativas tropicais de valor econômico e sistemas agroflorestais, e alavancar uma nova economia florestal? Em várias regiões do Brasil, produtores estão tentando diferentes modelos de restauração florestal que protegem o meio ambiente e geram renda. Já há exemplos que mostram que são modelos robustos e com grande potencial de geração de renda.

Veja o caso da AgroItuberá, empresa do setor de borracha, do Sul da Bahia. Ela optou por um sistema agroflorestal — uma forma de plantio que integra lavoura com florestas. A companhia passou a misturar as seringueiras com o cultivo de cacau e banana. Esse sistema agroflorestal simplesmente triplicou a produtividade em relação ao que se obtém hoje na Costa do Marfim, líder mundial na produção de cacau. Lá colhe-se 0,5 tonelada por hectare. À sombra das seringueiras, os pés de cacau produzem 1,5 tonelada de cacau por hectare. Na ponta do lápis, isso representa uma taxa interna de retorno entre 14% e mais de 20%. Um excelente investimento, um ótimo negócio.

A restauração de florestas e sua integração com agricultura e pecuária geram uma produção diversificada e, portanto, menos exposta à volatilidade dos preços e aos riscos das pragas e doenças que oneram o custo das lavouras e causam perdas. Combinar florestas com a produção de alimentos, integrando espécies com distintos tempos de maturação, gera renda ao produtor no curto e médio prazo, com a venda das culturas anuais e sub-produtos das florestas, e no longo prazo, com madeiras nobres de crescimento mais lento.

Em Santa Catarina, pequenos produtores estão experimentando esse sistema restaurando áreas degradadas com araucárias, erva-mate e palmito-juçara — espécies nativas que, por isso, podem inclusive ser cultivadas em áreas de Reserva Legal e áreas de uso alternativo, aliando lucratividade com a regularização no Código Florestal.

Os produtos da restauração florestal e florestas podem criar um grande mercado de artigos madeireiros e não madeireiros, como sementes, fibras, frutas, óleos, borracha. Mesmo a madeira de origem legal e certificada pode ser produzida para essa economia. Não faltam exemplos de destaque. No Sul da Bahia, a Symbiosis investe em 22 espécies diferentes de árvores nativas da Mata Atlântica para a produção de madeira. No Pará, a Amata apostou no paricá, árvore nativa da Amazônia, para geração de madeira certificada. Mesmo em biomas não-florestais, como o Cerrado, existem elementos de grande apelo comercial, como o óleo de macaúba (palmeira nativa) como uma alternativa para o dendê.

Esses exemplos podem ser o ponto de partida para identificar sistemas escaláveis, de boa liquidez, equacionando gargalos e capitalizando oportunidades. Tendo boa parte de nossos principais biomas constituídos originalmente por florestas, deixar de aproveitar o potencial das espécies nativas é desperdiçar uma enorme oportunidade de crescimento.

Mais de 30% dos solos do mundo estão degradados, segundo a FAO. Em um mundo que abrigará 10 bilhões de seres humanos, em pouco mais de três décadas, não podemos abrir mão dessas terras. Uma nova economia florestal baseada em reflorestamento com espécies nativas e sistemas agroflorestais pode ser o primeiro passo para colocar o Brasil na vanguarda desse novo modelo de produção de alimentos — e para nos tirar da linha de frente das nações que mais perdem cobertura florestal tropical no mundo. O caminho já começou a ser plantado: basta escolher a semente certa para colher crescimento econômico com sustentabilidade.

Há 140 milhões de ha de áreas degradadas ou erodidas que podem ser transformadas em territórios produtivos.

 

Por Miguel Calmon

Fonte: Valor Econômico

Compost Tea – Uma poderosa ferramenta da Agricultura Biológica

Foi em 2000 que eu, pela primeira vez, tomei conhecimento dessa poderosa técnica da Agricultura Biológica. A conheci por intermédio da Dra Elaine Ingham que a desenvolveu e a divulgou pelos Estados Unidos, Canadá, Holanda e Australia.

Hoje, pouco importa quem tenha sido o pai/mãe da idéia mas o fato é que foi a Dra Elaine quem mais a estudou, avaliou e a divulgou, e eu tive o prazer de fazer seu curso em 2002 em Indianapolis durante uma das Conferências da ACRES USA e adquirir essa técnica diretamente da sua grande incentivadora .

Naquela época, e ainda hoje, no Brasil os agricultores orgânicos estavam maravilhados com os chamados “biofertilizantes”, que são preparações mal cheirosas e potencialmente perigosas, sob o ponto de vista de saúde humana, e com uma diversidade microbiológica bem mais reduzida que o Compost Tea, e cujo único mérito talvez seja o de agregar micro nutrientes tão em falta nos nossos solos e tão negligenciados pela agricultura convencional.

Esse aporte aleatório de micro nutrientes proporcionado pelos biofertilizantes, de fato, melhorava as culturas principalmente no que diz respeito ao aumento da sanidade das plantas contra doenças e pragas, fato esse que é hoje em dia comprovado cientificamente e isso, na época, era atribuído a um estado de sanidade vegetal quase mítico denominado de “trofobiose”, o qual não era possível de ser explicado pelas idéias tão simplistas e simplórias de Francis Chaboussou, que conseguiu a façanha de ser o autor de um único livro, mas que já foi “re-escrito” após a sua morte umas outras tantas vezes e sempre com um título diferente, como é o caso da mais recente e requentada edição clonada e intitulada “Healthy Crops- A New Agricultural Revolution” na sua versão da lingua inglesa.

Esse livro publicado em 2004, é uma edição em inglês do único livro que Chaboussou escreveu na sua vida cujo título foi “Les Plants Malades des Pesticides” publicado em 1985, mas que nessa re-edição, clonada e requentada em inglês, não faz nenhuma menção sequer a esse fato e consegue uma outra façanha, qual seja de ter o primeiro prefácio de livro psicografado que eu conheço, posto que o referido prefácio foi escrito por um ex-ministro do Collor, José Lutzemberger, em 2004, sendo que essa mesma pessoa faleceu em 2002. Portanto, deve ter psicografado esse prefácio dois anos após a sua morte. Uma façanha digna da Fundação Gaia.

Tendo esse livro como a sua principal “bíblia”, secundado pelo também tradicional “Manejo Ecológico do Solo”, de Primavesi, onde se pode ler , entre outras pérolas, que “a matéria orgânica não tem valor para os solos tropicais (sic) e sub tropicais“, ou que “as substâncias chamadas de ácidos humicos não são solúveis na água, mas de decomposição relativamente fácil (sic)” e conclusões como “a formação de humus (em climas tropicais) é quase impossível (sic)” , e onde a autora consegue errar duas vezes em uma única e pequena frase, não seria de se admirar que o movimento orgânico não conseguisse deslanchar e se desenvolver a contendo no nosso país.

Faltavam autores que realmente conseguissem explicar como a Natureza de fato funcionava no que se refere ao cultivo das plantas. E isso nós já tinhamos em outros países como a Alemanha e os Estados Unidos. Porém, o viés politico ideológico que dominava (e ainda domina), não só a mídia mas também a míope academia brasileira, impediam que as idéias de outros autores fossem introduzidas aqui no Brasil.

Somente aqueles autores que recebiam o “imprimatur” da intelectualidade de esquerda eram considerados confiáveis como Chaboussou, Primavesi, Julius Hensel, etc…

A única e honrosa exceção a essa regra ficou a cargo de Rudolf Steiner e outros autores biodinâmicos devido ao trabalho dos seus discípulos e admiradores da Antroposofia aqui no Brasil.

Vivíamos o que eu chamo de “pré-história” da agricultura orgânica. A idéia geral era a de substituição de insumos. Era quase como se quisessemos fazer uma “errata” da Agricultura Convencional. Pensavamos estar “corrigindo” a agricultura convencional ao adotarmos uma Errata Agrícola.

Ou seja, onde se lê : Nitrogênio, leia-se Torta de Mamona, onde se lê: Potássio, leia-se Pó de rochas, onde se lê: Inseticidas, leia-se Óleo de Neem, onde se lê Fósforo Solúvel, leia-se: Fosfato Natural, onde se lê: Fungicida, leia-se Calda Bordaleza, e assim por diante. As certificadoras sem dúvida tiveram a sua parcela de culpa nessa visão distorcida da realidade.

O problema maior era quando chegávamos em itens como Herbicida ou Nematicida pois não havia nada no universo orgânico que os substituíssem. Pequenos manuais de receitas caseiras foram publicados por autores bem intencionados, porém ingênuos e até pueris, por acharem que uma verdadeira agricultura orgânica se faz com substituições de insumos e com receitas caseiras, mas logo percebeu-se que não era dessa maneira que a Natureza funcionava.

Infelizmente, essa tendência de se escrever e publicar cartilhas sobre agricultura orgânica as custas de dinheiro público, com desenhos e linguagem pueril, se manteve nos últimos 20 anos. Esse tipo de procedimento não é somente reprovável e repreensível, como também presta um grande desserviço aos agricultores por tratá-los como se fossem verdadeiros débeis mentais.

Esse modêlo dava certo em pequenos lotes, geralmente de hortaliças, o que no Brasil, ainda é uma realidade, e gerava produtos com aspectos aquém da qualidade exigida pelos consumidores, o que emprestou aos produtos orgânicos a sua já tão conhecida reputação de feios, abaixo do padrão e caros.

Aqueles agricultores familiares orgânicos por negligência (organic by default) contribuíram ainda mais para essa má reputação do aspecto ruim dos produtos orgânicos, o que gerava, e ainda gera, a já tão conhecida reação dos consumidores de : “Porque eu vou pagar mais por um produto desses tão feio?”, e que só sustenta esse mercado graças ao terrorismo (até certo ponto justificável) que é feito pelos produtores orgânicos com relação ao medo do público aos agrotóxicos. A contaminação generalizada e universal pelo Glifosato até justificaria esse terrorismo.

Entretanto, esse mesmo tipo de terrorismo é exercido pelos fabricantes de venenos agrícolas e autoridades regulatórias para justificar o emprego de agrotóxicos ao acenam com o espectro da fome, o que já sabemos ser uma grande falácia.

Durante essa pré-história (e esse fato se estende mais ou menos até os dias de hoje) os agricultores orgânicos queriam fazer uma agricultura de substituição de insumos. Ou seja, trocar o seis químico pelo meia dúzia orgânico.

Culturas de Cobertura eram chamadas de “Adubação Verde” ou seja, naquela visão distorcida da realidade as plantas de cobertura só serviam a um único propósito, isto é, serem transformadas em adubo. Até hoje, culturas de cobertura são incorporadas no solo com o objetivo de se transformarem em “adubo”.

Não se tinha visão de que as culturas de coberturas além de protegerem o solo contra a insolação, a chuva, o vento, diminuir a temperatura do solo, conservar a umidade e com tudo isso propiciar o desenvolvimento de comunidades microbianas vigorosas, também ajudavam essas mesmas comunidades microbiológicas por excretarem uma grande quantidade de exudatos radiculares compostos de açucares, amino ácidos e ácidos graxos.

Ao fazer isso, com o maior desenvolvimento de raízes propiciavam o desenvolvimento de uma rizosfera vibrante constituida de bactérias de vida livre, bactérias simbióticas, bem como de fungos micorrizicos que produzem constantemente GLOMALINA uma molécula recalcitrante que perdura no solo por dezenas de anos e que ajuda bastante na formação dos agregados de solo, outro componente da fertilidade do solo.

E que todo esse elaborado processo pode ser chamado de qualquer coisa menos de “adubo”. Adubo significa abono. Tem outra conotação e, de fato, tanto não define o efeito protetivo e regenerativo das culturas de cobertura, quanto dificultam o entendimento do seu verdadeiro significado.

A utilização do chamado “Composto Orgânico”, que na época, e até mesmo ainda hoje, poucas pessoas sabiam da sua real finalidade, era visto como um insumo miraculoso, mas também era “decomposto” aos seus teores de N,P e K na hora de se fazer as contas e de se decidir por sua utilização em um manejo orgânico.

Eu tive a oportunidade de explicar o que vem a ser um composto de qualidade, isto é, que tenha microvida suficiente para ser usado como inoculante, em outros artigos que podem ser lidos nesse mesmo blog.

Outros autores como o Prof. David Johnson da New Mexico State University, além é claro da Dra Elaine, também tiveram a oportunidade de esclarecer o que vem a ser um composto de qualidade, qual seja conter uma grande diversidade de comunidades microbiológicas destinadas a regenerar a fertilidade perdida do solo.

Desde que começei a me interessar por métodos agrícolas alternativos que eu tenho observado uma admiração que beira a religiosidade pelo composto orgânico aeróbico que não se justifica. Na Natureza temos tantos processos aeróbicos como anaeróbicos e ambos são muito interessantes e podem ser usados em nosso benefício.

Porém, se quisermos fazer Compost Tea vamos ter que usar o Composto Orgânico aeróbico de qualidade e o conselho que eu dou a todos que querem fazer um Compost Tea com qualidade é a de que usem o Vermicomposto (Humus de Minhoca) até que tenham atingido um estágio tal de maestria na fabricação de composto que lhes permitam usar o tradicional composto orgânico aeróbico rico em micro vida.

A critica que a Dra Elaine faz ao Vermicomposto é a de ele tem mais bactérias do que fungos, ou seja, é um composto predominantemente bacteriano. Ela até se dá ao trabalho de explicar como se faz um composto aeróbico “equilibrado” para fins de utilização para Compost Tea, porém é trabalhoso, demorado e dependendo de quem faz, nem sempre dá bons resultados. Um ex-aluno dela que veio ao Brasil protagonizou recentemente um grande fiasco na região de Tangará da Serra em MT ao tentar fazer o tal de “composto equilibrado”.

Fazendo o seu próprio composto equilibrado para ser extraído

Eu desenvolvi o meu próprio método que consiste em usar de 5 a 10% de farelo de arroz (o preferido, mas que pode ser substituído por farelo de trigo ou de aveia) misturado ao Humus de Minhoca (Vermicomposto) , ligeiramente umedecido (não exceder a 30% de umidade) e colocado em um saco plástico. Espera-se o período de uma semana para que os fungos cresçam e tenham tempo de colonizar todo o composto formando um bloco sólido que as vezes até precisa ser destorroado antes de ser usado no tanque de compost tea. Essa seria, então, a primeira receita, ou seja, de como transformar um composto bacteriano em equilibrado entre fungos e bactérias em apenas uma semana.

Condições aeróbicas durante todo o processo

Para se fazer um Compost Tea vamos precisar de um tanque de extração e de multiplicação. Na internet você irá ver um grande número de projetos mas, na minha opinião, os que se prestam melhor a essa tarefa seriam os que usam os insufladores de ar tipo ventoinhas, como por exemplo BUSCH modelo SB0050 ou SI 0045 ou similar, e que sejam capazes de insuflar ao redor de 90 a 150 m3 de ar / hora, para que as condições sejam francamente aeróbicas, isto é, que tenham níveis de Oxigênio acima de 6 ppm, para tanques de 1000 a 2000 litros de água.

Formatos redondos facilitam a boa limpeza que deve ser bem feita para evitar a formação de biofilmes de organismos anaeróbicos que poderão interferir nas suas extrações futuras. Essa foi a principal razão do insucesso dessa técnica aqui no Brasil pois começamos usando bombas centrifugas que somente são boas para a multiplicação de bactérias mas que também são de difícil limpeza e exigem que o composto seja contido dentro de um recipiente de tela para evitar o entupimento da bomba.

De maneira alternativa pode-se usar também aqueles oxigenadores para tanques de peixe que agitam adequadamente a mistura e fornecem ar suficiente para a manutenção de condições aeróbicas.

Resumindo: Condições aeróbicas, agitação adequada e projeto fácil de limpar após a utilização do Compost Tea.

Eu pessoalmente prefiro colocar o composto diretamente na agua e depois do fim do ciclo filtrar ou coar dependendo do uso que se queira dar, ou seja, rega ou pulverização, mas há quem o coloque dentro de sacos de telas plásticas com menos de 500 micras, geralmente 200 micras.

O tempo de extração deve ser de no mínimo 24 horas. Recomenda-se não elevar o nível do liquido até muito próximo a borda dos tanques porque a multiplicação principalmente das bactérias produz uma grande quantidade de espuma que poderá ser diminuída com o uso de anti espumante ou até mesmo de óleo vegetal. Essa grande produção de espuma pode fazer transbordar .parte do conteúdo da solução e isso não é interessante

O que adicionar para fazer o Compost Tea

O composto é o principal ingrediente. E a quantidade vai depender muito da qualidade do composto. Quanto melhor usa-se menos composto, mas com aquela mistura de Humus de Minhoca com farelo de arroz, umedecida e fermentada por uma semana, a quantidade de 20 gramas por litro já são suficientes.

No início o melaço era o nutriente preferido de quem fazia Compost Tea, porém após algum tempo a Dra Elaine passou a desaconselhar o uso do melaço. Eu, entretanto, discordo dessa recomendação e creio que o nivel de 1% é adequado e suficiente. Então, 1% de melaço liquido.

Depois três outros ingredientes você vai encontrar em 90% das receitas de Compost Tea. São eles o Acido Húmico, Kelp (extrato de Ascophyllum nodosum) e Hidrolisado de Peixe.

Com relação ao hidrolisado de peixe procure algum produto feito por fermentação a baixas temperaturas e que utilizem de preferência um processo enzimático eficiente para que o produto possa ser utilizado principalmente pelas bactérias. A quantidade vai depender da qualidade do produto mas geralmente de 1 a 2 ml por litro de agua já seriam suficientes.

Acido húmico liquido usa-se também de 1 a 2 ml por litro e Kelp 1 ml por litro de água.

Ultimamente eu tenho usado também um pouco de Pellets de Alfafa na dose de 5 a 10 gramas por litro.

Os ingredientes acima mencionados foram os nutrientes que tanto a pesquisa quanto o uso continuado por centenas de produtores demonstraram ser os melhores para multiplicar tanto bactérias quanto manter os fungos em suspensão até serem adicionados ao solo ou a lavoura.

Evitem o uso de outros ingredientes que não serão usados pelos microrganismos em um espaço de tempo curto como 24 horas como por exemplo pós de rocha, fubá, farelos de qualquer natureza, ou qualquer outro ingrediente mais exótico. Essas escolhas realmente não são muito inteligentes.

Após um ciclo de 24 horas as bacterias terão se multiplicado enquanto que os fungos serão adequadamente extraídos pois o ciclo de 24 horas não permite a sua multiplicação adequada. Essa solução será rica em acidos humicos, reguladores de crescimento, e terá a nutrição natural e suficiente tanto para as plantas quanto para inocular o solo com a necessária microbiota.

Como toda arte, só se desenvolve e se aprofunda o conhecimento com a repetição, ou seja fazendo e repetindo por várias vezes.

É a forma mais democrática de se adicionar a microvida contida no composto de qualidade em grandes áreas, que de outra maneira não seria possível ou seria financeiramente viável.

Desejo a todos uma boa extração e uma boa fermentação.

José Luiz M Garcia
Instituto de Agricultura Biológica

Referências

PUBLICADO POR
Dr Vinagre PhD – Agrônomo, Fisiologista e Bioquímico de Plantas. Produtor Biológico. Escritor. Consultor.

Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

A fauna edáfica

Estudando-se a fauna edáfica, isto é, os animais microscópicos, mesoscópicos, macroscópicos e até os megascópicos do solo, verificou-se que os mesmos não apareciam em qualquer lugar nem eram comuns a alguma unidade de solo mas dependiam também da fertilidade e produtividade do solo e da cobertura vegetal. Isso se explica pelo fato de que muitos deles alimentam-se de bactérias e fungos, às vezes próprios da rizosfera e são sensíveis à menor alteração do solo. Formou-se então a concepção de ecossistemas, isto é, a interdenpendência entre clima-planta-solo-microrganismos e a mesofauna.

Quer dizer que cada lugar possui sua vida, toda particular e que lhe é característica. A totalidade de vida chama-se biocenose.
Por muito tempo os zoólogos preferiram estudar os solos nativos de mata e de pastagens porque encontraram ali muito maior número de espécies, embora com menor quantidade de indivíduos que em solos lavrados, onde a uniformização é tanto maior quanto mais monótonas forem as técnicas agrícolas empregadas.

E, como cada pesquisador tinha a ambição de dar a alguns animais seu nome, por muito tempo não se trabalhou com terras agrícolas que foram fortemente modificadas através da interferência do homem.

A interferência do homem é representada pelo desmatamento, a queimada, o pastoreio, a caça, a lavração, a adubação e plantio com a introdução de somente uma espécie e o combate às ervas nativas (capina, herbicidas, pesticidas), a irrigação e drenagem.

Cada uma dessas medidas prejudica algumas e beneficia outras. De modo que um beneficiamento unilateral de uma espécie em detrimento de outra leva, infalivelmente, à multiplicação explosiva da espécie, criando, desta maneira, pragas para as culturas.

A monocultura é a medida mais eficaz de provocar-se uma praga. O número de uma ou outra espécie de animais no solo tem pouca influência mas o importante é a composição total da mesofauna do local.

Assim, a existência de percevejos, por exemplo, não prejudica o trigo se existe, ao mesmo tempo, número suficiente de formigas. Mesmo um número pequeno de percevejos pode ser alarmante se não existirem formigas que os controlem.

A simples presença de nematoides não é sinal de alarme. Será alarmante se todos forem da mesma espécie e não existirem fungos, formigas, ácaros e outros seres que os cacem.

Verificamos que o maior desenvolvimento de animais terrícolas é correlacionado com a maior atividade dos vegetais, isto é, da época da formação dos botões até a floração. Em solos pobres, especialmente, cultivados com adubação em linha (fertilizer band), a atividade na rizosfera é muito pronunciada.

A raiz da planta segrega substâncias que servem de alimento para diversos tipos de bactérias e fungos; estes são devorados por amebas, alguns ácaros e colêmbolos; estes, por sua vez, servem de alimento para formigas e aranhas que, por sua vez, caçam larvas, ovos de besouros, etc.
As excreções das plantas dependem da nutrição vegetal, isto é, da riqueza do solo e da adubação.

Em virtude desta íntima correlação, se modificarmos um dos fatores, acarretaremos a modificação de todos os demais. Se adubamos trigo, por exemplo, com fósforo, a planta excreta aminoácidos. Estes são utilizados por bactérias como radiobacter e Bacillus mesentéricos. Estes constituem alimento preferido por diversos tipos de amebas que vivem em consorciação com fixadores de N, como o Azotobatcer, aumentando sua atividade.

Provocam, portanto, um maior abastecimento de plantas com nitrogênio, que por serem melhor nutridas, excretam, também, mais substâncias e têm uma maior atividade na sua rizosfera. Se faltar fósforo ou se substituirmos a planta por outra espécie, milho, por exemplo, modifica-se, imediatamente, toda a gama de vida com reflexos para a física do solo. Cada lavração é uma revolução no solo, sendo modificado todo o ambiente e, com ele, a biocenose.
Na natureza não existem fatores isolados mas dependentes e inter-relacionados de modo a formarem equilíbrios. Estes equilíbrios são dinâmicos. Somente com a taxa de transformação sempre constante é mantido esse equilíbrio. Como o equilíbrio se baseia na constante transformação de todos os fatores, chama-se equilíbrio dinâmico, que entretanto são extremamente sensíveis à modificação de um de seus fatores.

Os animais terrícolas mais importantes, isto é, os que existem normalmente em maior escala no solo são: colêmbolos, ácaros, nematoides, formigas, cupins, aranhas, minhocas e amebas.

Parte dos animais vive na superfície do solo, especialmente entre as folhas e cupins mortos, e parte nas camadas abaixo. São fáceis de distinguir porque os da superfície são sempre de cores mais pronunciadas, enquanto os das camadas mais profundas são geralmente brancos ou cinzentos. Isto acontece porque os que recebem luz se pigmentam.

A grande dificuldade na compreensão das biocenoses é o fato de que os pesquisadores são superespecializados, por exemplo, somente para ácaros, ou somente para nematoides, ou somente para carabídeos, etc. E há ainda especialistas para uma ou outra espécie de modo que se sabe tudo a respeito desta, mas pouco a respeito de sua interdependência com o resto da vida do solo. O estudo da espécie por si não faz muito sentido a não ser por curiosidade zoológica, uma vez que também na sociedade humana, ninguém pode entendê-la estudando um indivíduo isolado.

Sabemos que o reino animal, tanto como o vegetal, está sempre em modificação, uma vez que não existe equilíbrio dinâmico que não trabalhe com pequenas falhas. Estas falhas acarretam uma degradação do sistema, sua decadência, até que um ou outro componente tem que ser substituído. Dessa forma, um indivíduo estranho ao sistema entra substituindo o outro, que não encontra mais as condições de sobrevivência para poder se impor e dominar.
Chamamos esta substituição gradativa de sucessão. A sucessão é completa quando todo o sistema foi substituído por outro. Pode haver um melhoramento do solo de uma sucessão superior, por exemplo, numa terra com cupins que era muito compacta e sem matéria orgânica, adicionamos material vegetal semi decomposto e calcário. Os cupins os misturaram com o solo mineral possibilitando assim a proliferação de colêmbolos. Estes logo descobriram que a matéria orgânica semi digerida nos corpos dos cupins era muito mais gostosa e mataram os cupins. Mas a quantidade de colêmbolos atraiu formigas que os caçaram, eliminando a maioria.

Os animais que agora se assentaram não eram mais cupins mas minhocas, que formaram um complexo de húmus e argila, agregando o solo e melhorando em muito suas condições físicas e químicas. As sucessões são consideradas tanto mais avançadas e mais altas quanto maior é o grau energético de sua alimentação.

Aos invertebrados do solo distinguimos:

1. Bacteriófagos
2. Saprozoontes (comendo detritos vegetais)
3. Fitófagos e planositas (sugam células vivas de raízes e folhas)
4. Parasitas
5. Carnívoras
A sucessão constitui-se, portanto:

Amebas e outros protozoários > colêmbolos e nematoides > ácaros e colêmbolos > formigas, aranhas e miriápodos > minhocas.

Um solo onde predominam colêmbolos é muito menos produtivo do que um onde há grande número de formigas e aranhas.

Os Nematoides

Vivem em solos com boa retenção de água, de textura arenosa com bom teor de matéria orgânica. É um verme filiforme (nemato=fio; ptoides=forma) de 0,1 a 4 mm de tamanho e de 30 a 250 microns de diâmetro e são completamente circulares. Vivem somente em lugares onde há suficiente umidade. Podem ser:

  • Saprófitos, vivendo no musgo, na manta de folhas mortas da floresta ou simplesmente de matéria orgânica no solo, mas podem viver também nas folhas de árvores. Em condições adversas se desidratam, levando o vento a cutícula. Caindo em lugar favorável, se hidrata de novo para continuar a vida. Pela calagem são altamente beneficiados.
  • Firo-fagos que migram de raiz para raiz, roendo-a de fora como Pratylenchus. Estes possuem um estilete na boca para furar a célula vegetal. Porém raramente prejudicam a raiz. Muitos vivem também de bactérias, fungos e algas.
  • Parasitas, que entram na planta enquanto larvas, amadurecendo ali, como a Heterodera. Liquidifica com uma enzima o plasma celular, que depois suga. A enzima estimula a planta que fornece alimento à célula invadida. E o nematoide, portanto, evita cuidadosamente prejudicar o tecido que os necrosaria. Porém o nematóide abre o caminho para patógenos microrgânicos como fungos (por ex. Fusarium vasinfectum) e bactérias que prejudicam seriamente a raiz. Vivem também como fauna intestinal nos intestinos de minhocas.

Em 1m2 de solo vivem normalmente 50.000 a 1.000.000 de nematoides. Como são animais muito fracos, não podendo cavocar solos pesados, vivem especialmente em solos arenosos ou fraco arenosos, onde podem se tornar pragas terríveis. Dependem, porém, de suficiente umidade. WINCHESTER e outros pesquisadores atribuem aos nematoides a necessidade de abandonar os solos, especialmente em clima tropical para, pela multiplicidade de flora nativa, restabelecer o equilíbrio natural, especialmente porque há muitas plantas nematicidas.

Sabe-se hoje, porém, que as plantas resistem muito bem aos nematoides quando convenientemente nutridas, suportando números de até 3.600 nematoides em 5 g de raiz, sem se prejudicar. Solanáceas e Leguminosas são as plantas mais prejudicadas por nematoides, seguindo-se as hortaliças e flores, mas atacam igualmente gramíneas e outras plantas. Entre nós são conhecidos como criadores de nematoides: trevo, aveia, soja, batatinhas, tomates e fumo. DDT e outros pesticidas afetam-nos pouco.

Amebas e outros protozoários existem em quantidade muito grande no solo sendo de 10 a 100 vezes mais numerosos que os nematoides por grama de solo. Seu tamanho varia de alguns microns a 4 mm e muitas vezes não é muito maior do que as bactérias, porém reconhecem-se facilmente pela modificação constante da forma de seu corpo enquanto vivos. Encistam-se quando há falta de alimento. Sua multiplicação depende da quantidade de bactérias à disposição que estimulam seu desencistamento. Aumentam explosivamente quando há quantidade suficiente de bactérias, devorando cada um até 120 bactérias por dia. Quando reduzidas drasticamente, as bactérias se encistam de novo por falta de alimento, permitindo, assim, de novo, a multiplicação destas.

São considerados como válvula de segurança no solo controlando sua flora bacteriana, mas atacam também a micro e mesofauna. Vivem também em estreita associação com os fixadores de nitrogênio e decompositores de celulose, aumentando até 10 vezes a atividade de Azotobacter, na fixação de N2 atmosférico.

A Eugenia é uma ameba que se situa entre plantas e animais por ser fotossintética, como também Flaviobactérias que são desnitrificadoras, produzindo vitamina B12 que ela aprecia muito.

Os colêmbolos (Apterygotas)

Os colêmbolos são os animais mais antigos no solo e datam em parte ainda do Terciário. Pode-se dizer que sua forma não se modificou muito durante dezenas de milênios. Vivem especialmente na camada de folhas mortas da floresta. Existem em grandes quantidades, são todos saprófagos e sua única defesa é a furca com que pulam. Alguns são venenosos, sendo, porém, por causa disso presa predileta de algumas espécies de formigas, que, após devorá-los, ficam embriagados, podendo até tornar-se toxicômanos.
Normalmente são considerados a mesofauna pioneira que faz o primeiro trabalho da decomposição da matéria orgânica em solos ainda muito desfavoráveis para outra vida. Nunca se tornam parasitas mas podem comer plantas em pé se terminar a matéria orgânica. Podem ser o sustento das formigas, cuja presença é altamente benéfica, como ainda veremos.

Ácaros (Arachnides)

100.000 pesam mais ou menos 1 a 2 gramas. Existem espécies que são saprófagos (75%) e que ajudam na primeira trituração de matéria orgânica, especialmente de folhas mortas no pasto. Poucos vivem na floresta. Parte, porém, são carnívoros (25%) e caçam especialmente colêmbolos, insetos, outros ácaros e nematoides, comendo também ovos de besouros e de borboletas e filamentos de fungos. Não misturam a matéria orgânica com o solo mas beneficiam sua decomposição por bactérias.

Reagem violentamente à uma adubação amoniacal, que os faz desaparecer, como aliás a maioria da meso, macro e mega fauna, porque age como abiótico.
Geralmente são considerados controladores efetivos de muitas espécies que se poderiam tornar parasitas. Porém, há também ácaros parasitas de plantas e animais (carrapatos) valendo dizer aqui, porém, que quanto pior o solo, tanto maior a quantidade de ácaros parasitas. Seu surgimento é, pois, sinal de desequilíbrio biológico.

Minhocas (Anelídeos)

Quatrocentos e dez delas pesam mais ou menos 120 gramas. Vivem somente em solos com boa retenção de água e se enodam e morrem em ambiente anaeróbio. Elas preferem solos médios e quase nunca aparecem em areias. Não se importam com o pH de há suficiente cálcio à disposição.

As minhocas são os animais mais discutidos, sendo considerados em clima temperado como sinal de terra boa porque neutralizam o solo onde aparecem, misturam-no até a profundidade de 6 m e formam e estabilizam sua estrutura granular. Dependem porém especialmente de suficientes recursos de K e Ca além da matéria orgânica. Suas galerias beneficiam a penetração de água (solos com bastante minhocas são portanto muito resistentes à erosão). Com estrume de galinha pode-se provocar seu aumento explosivo a ponto de se tornarem prejudiciais ao solo, por tornar a estrutura do solo permeável demais drenando toda água pluvial e por devorarem as plantinhas novas da cultura.
As minhocas brasileiras são mais fortes que as europeias. Na Austrália vai o ditado: “quantos quilos de minhocas o solo contiver, tantos quilos de ovelhas a pastagem suporta.” Muitos achavam que os cupins se solos tropicais seriam os substitutos das minhocas, mas isso não é verdade.

Cupins (Isópteras)

Necessitam de umidade constante que se forma pelos cupinzeiros e suas galerias impermeáveis. Os cupins misturam indiscutivelmente o solo tornando-o mais solto, facilitando a penetração de ar e água, especialmente nas zonas semi desérticas, porém como constroem galerias, sua atividade é muito mais restrita que a das minhocas. Se há matéria orgânica no solo, melhoram-no pela mistura desta com o solo mineral, porém geralmente aparecem em campos com terra muito compactada onde a matéria orgânica sempre é limitada pela queima. Ocorrem também na floresta fechada onde atacam madeira morta. Não contribuem para a estabilidade da estrutura do solo. Os cupinzeiros porém são ótimos para encapamento de estradas, fornecendo um material parecido ao asfalto. Aumentam em seus cupinzeiros a CTC e os íons trocáveis e até criou concreções de CaCO3 e quase neutralizam o pH. Apesar da maior riqueza mineral, cupinzeiros destruídos e aplainados comprometem seriamente a fertilidade do solo por serem isentos de matéria orgânica.

As formigas carnívoras

No Brasil, a perseguição às formigas é total, apesar de ser necessário distinguir as carnívoras, extremamente benéficas para as lavouras e pastagens, e herbívoras, que são as temidas formigas cortadeiras, que criaram a má reputação que as formigas hoje gozam.

As formigas carnívoras somente podem existir onde, durante todos os meses do ano, acham suficiente alimento. Se pela lavra se criam longos períodos sem suficiente mesofauna, as formigas desaparecem. Como todas as carnívoras (por ex., as lava-pé) possuem veneno, o tão conhecido ácido fórmico, poucos gostam delas.

Na Alemanha há fazendas dedicadas à criação de formigas, que são vendidas especialmente pra os silvicultores mas também para agricultores, porque são umas das armas mais poderosas no controle de pragas. Controlam até as formigas cortadeiras, que por exemplo se retiram das regiões onde aparece a formiga conhecida como “cuiabana”, não porque comem as crias delas, mas porque as enlouquecem pelas danças que fazem em volta delas.

As formigas conhecidas como “correção” invadem as casas matando pulgas, baratas, piolhos e até camundongos, deixando as casas limpas de pragas. Em volta de todos os formigueiros sobem os níveis de Ca, P, K e N no solo. Formigueiros, portanto, nunca devem ser destruídos quando são de carnívoras, mas cercados de todos os cuidados porque enquanto existem, o perigo de pragas é muito reduzido.

As aranhas da mesma maneira são eficientes caçadoras de insetos. Em experiências feitas aqui em Santa Maria verificamos que a adubação verde aumenta os colêmbolos e a de palha, as formigas e aranhas.

Hoje, reconhecendo o tremendo valos da mesofauna para a manutençãoo do equilíbrio biológico do solo, usa-se sempre em maior escala a “não lavração” (zero tillage), a “lavração mínima” e a “lavração em listas” (stripp tillage) para conservar o solo intertubado e manter as condições favoráveis à mesofauna.

Fonte: Ana Maria Primavesi

Deficiência de nutrientes nas plantas

A falta ou insuficiência de nutrientes debilita e atrasa o desenvolvimento das plantas, que passam a apresentar sintomas de deficiência nutricional.

O estado nutricional das plantas é avaliado por meio da diagnose foliar (análise de tecidos vegetais) e diagnose visual (observação de sintomas de deficiência ou excesso). O objetivo da avaliação nutricional das plantas é identificar os nutrientes que estariam limitando o crescimento e produção das culturas. Consiste basicamente, em se comparar uma planta, uma população de plantas ou uma amostra dessa população com um padrão da cultura em questão.

Como nas folhas ocorrem os principais processos metabólicos do vegetal, as mesmas são os órgãos da planta mais sensíveis às variações nutricionais. Se houver falta ou excesso de um nutriente, isto se manifestará em sintomas visíveis, os quais são típicos para um determinado elemento.

Principais sintomas da deficiência de nutrientes verificados nas folhas das plantas de milho.

Os principais sintomas de deficiência nutricional, fatores associados e medidas de correção são relacionados a seguir:

Nitrogênio

A exigência do elemento é maior nos primeiros estádios de crescimento. Em sua falta ou insuficiência, o crescimento da planta é retardado e as folhas mais velhas tornam-se verde-amareladas. Se a falta do nutriente for prolongada, toda a planta apresentará esses sintomas. Em casos mais severos, ocorre redução do tamanho dos folíolos, e as nervuras principais apresentam uma coloração púrpura, contrastando com um verde-pálido das folhas. Os botões florais amarelecem e caem.

As condições que predispõem à deficiência são: insuficiência de fertilizante nitrogenado, baixo nível de matéria orgânica no solo, elevado nível de matéria orgânica não decomposta no solo, deficiência de molibdênio (Mo), compactação do solo, intensa lixiviação e seca prolongada. A correção faz-se pela aplicação de nitrogênio, preferencialmente na forma nítrica, em cobertura ou foliar.

Fósforo

A deficiência de fósforo é observada com freqüência em solos de baixa fertilidade e nos que possuem elevada taxa de adsorsão desse nutriente, como os solos de cerrados. A taxa de crescimento das plantas é reduzida desde os primeiros estádios de desenvolvimento. As folhas mais velhas adquirem coloração arroxeada, em razão do acúmulo do pigmento antocianina. Em estádios de desenvolvimento mais tardios, as folhas apresentam áreas roxo-amarronzadas que evoluem para necroses. Essas folhas caem prematuramente, e a planta retarda sua frutificação.

A absorção de fósforo pelo tomateiro é afetada principalmente pela concentração de fósforo na solução do solo. A acidez ou a alcalinidade do solo, o tipo e a quantidade de argila predominante, o teor de umidade, a compactação do solo, o modo de aplicação dos fertilizantes e as temperaturas baixas na fase de emergência das plantas também afetam a absorção desse nutriente. A correção do solo pode ser feita preventivamente com a aplicação de adubo fosfatado antes do plantio.

Potássio

É o nutriente mais extraído pelo tomateiro. A deficiência de potássio torna lento o crescimento das plantas; as folhas novas afilam e as velhas apresentam amarelecimento das bordas, tornando-se amarronzadas e necrosadas. O amarelecimento geralmente progride das bordas para o centro das folhas. Ocasionalmente verifica-se o aparecimento de áreas alaranjadas e brilhantes. A falta de firmeza dos frutos, em muitos casos, é também devida à deficiência de potássio.

O teor de potássio no solo, a taxa de lixiviação, a calagem excessiva ou a presença de altos teores de cálcio, magnésio e amônia no solo afetam a disponibilidade de potássio para a planta. A correção pode ser feita com a adubação em cobertura de sulfato ou cloreto de potássio, seguida de irrigação.

Cálcio

O sintoma característico da deficiência de cálcio inicia com a flacidez dos tecidos da extremidade dos frutos, que evolui para uma necrose deprimida, seca e negra. O sintoma é conhecido como podridão estilar ou “fundo-preto”. Em condições em que ocorrem períodos curtos de deficiência – principalmente quando ocorrem mudanças bruscas de condições climáticas –, observam-se tecidos necrosados no interior dos frutos, cujo sintoma é conhecido como coração preto. Eventualmente verificam-se, em condições de campo, deformações das folhas novas e morte dos pontos de crescimento.

Geralmente, qualquer fator que diminua o suprimento de cálcio, ou interfira em sua translocação para o fruto, pode provocar deficiência. Assim, fatores como irregularidade no fornecimento de água, altos níveis de salinidade, uso de cultivares sensíveis, altos teores de nitrogênio, enxofre, magnésio, potássio, cloro e sódio na solução do solo, pH baixo, utilização de altas doses de adubos potássicos e nitrogenados – principalmente as fórmulas amoniacais – e altas taxas de crescimento e de transpiração contribuem para o aparecimento do sintoma.

Previne-se a deficiência de cálcio com a aplicação adequada de corretivos e com a adoção de um manejo eficiente de irrigação, evitando que a planta sofra estresse hídrico, principalmente nas fases de florescimento e crescimento dos frutos. A correção da deficiência é feita com pulverização foliar de cloreto de cálcio a 0,6%, dirigida às inflorescências.

Magnésio

A deficiência de magnésio é bastante comum em plantações de tomate e caracteriza-se por uma descoloração das margens dos folíolos mais velhos, que progride em direção à área internerval, permanecendo verdes as nervuras. Quando a deficiência é mais severa, as áreas amarelas vão escurecendo, tornando-se posteriormente necrosadas. Sintomas causados por infecção de vírus podem ser confundidos com deficiência de magnésio.

Solos ácidos, arenosos, com alto índice de lixiviação e altos níveis de cálcio, potássio e amônio afetam a disponibilidade de magnésio. Previne-se a deficiência com a aplicação adequada de calcário dolomítico ou de sulfato de magnésio (30 kg/ha) no solo, antes do plantio. A correção pode ser feita com pulverização foliar de sulfato de magnésio a 1,5%. A aplicação foliar conjunta de uréia favorece a absorção de magnésio.

Enxofre

Os sintomas de deficiência de enxofre são semelhantes aos de nitrogênio, ou seja, as folhas apresentam coloração verde-amarelada. Entretanto, neste caso, as folhas novas são as primeiras a serem afetadas. As plantas deficientes geralmente apresentam o caule lenhoso, duro e de pequeno diâmetro.

As condições que promovem a deficiência de enxofre são as mesmas relatadas para o nitrogênio, acrescidas de excessivo uso de “adubos concentrados”, normalmente sem enxofre. Não há necessidade de adubação específica para fornecimento de enxofre. Em casos especiais, a utilização de gesso agrícola, na dosagem de 800 kg/ha, aplicado antes do plantio, juntamente com a calagem, ou a aplicação de sulfato de potássio ou de magnésio, no plantio, previnem a deficiência.

Boro

Na deficiência de boro, as folhas novas do tomateiro tornam-se bronzeadas, ocorrendo, em seguida, morte das gemas e das folhas. O pecíolo torna-se quebradiço e a planta murcha nas horas mais quentes do dia, em razão dos danos provocados ao sistema radicular. Sintomas de clorose e deformação das folhas novas são muitas vezes confundidos com o sintoma da virose “Topo-amarelo”. Os frutos apresentam manchas necróticas de coloração marrom, principalmente perto do pedúnculo, e não desenvolvem totalmente a cor vermelha. As paredes do fruto tornam-se assimetricamente deprimidas e os lóculos se abrem.

As condições que predispõem a deficiência de boro são: calagem excessiva, solos arenosos e elevado índice de precipitação pluviométrica. A prevenção da deficiência faz-se com a aplicação de bórax na adubação de plantio (30 kg/ha). A correção durante o cultivo pode ser feita com pulverização foliar de bórax a 0,25%.

Molibdênio

Os sintomas de deficiência de molibdênio expressam-se em condições de carência de nitrogênio, apresentando um amarelecimento das folhas mais velhas e possíveis necroses marginais com acúmulo de nitrato. Solos com pH abaixo de 5,0 predispõem a deficiência desse nutriente.

A correção se faz com a calagem e a aplicação de 1 a 2 kg/ha de molibdato de amônio no solo, ou com pulverização foliar a 0,3%. Não se deve fazer mais de uma aplicação de molibdato no solo, já que os níveis tóxicos são facilmente atingidos.

Zinco

Os sintomas de deficiência de zinco manifestam-se nas partes mais novas da planta, com o encurtamento dos entrenós, ligeira clorose das folhas, redução do tamanho e deformação das folhas. Excesso de calagem, elevado índice de lixiviação e alta concentração de fósforo no solo favorecem a deficiência. A prevenção é feita com a aplicação de sulfato de zinco, na dosagem de 30 kg/ha, junto com a adubação de plantio. A correção pode ser feita com pulverização foliar de sulfato de zinco, na dosagem de 15 g/L de água.

Para mais informações, veja também o livro:

Guia de Deficiência Nutricionais em Plantas

 

Fonte de pesquisa:
Embrapa
Blog Conhecendo os Adubos
A Cientista Agrícola

Agricultura Orgânica

Um grupo de assentados da reforma agrária buscou qualificação profissional e passou a investir na agricultura orgânica. O cultivo de hortaliças totalmente livres de agrotóxicos é a principal fonte de renda da comunidade Colônia I, na zona rural do Distrito Federal.

Acompanhe a matéria do programa Momento Ambiental mostrando como é possível retirar o sustento da terra, gerar empregos e preservar a natureza.

Fonte: Momento Ambiente

Rios voadores

De onde vem a água que chega às torneiras das cidades no Sudeste brasileiro? O que explica a escassez que causou alarme nos últimos meses, num país renomado pela abundância de água doce? Sem a possibilidade de chegar a uma resposta simples e incontestável, aspectos diversos do assunto foram tratados na reportagem da Pesquisa FAPESP.

O pesquisador Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fala sobre a importância da Amazônia na formação de rios voadores que levam água para regiões distantes dentro do Brasil e nos países vizinhos. Seus depoimentos são essenciais para as reflexões da engenheira Monica Porto, da Escola Politécnica da USP, sobre a importância da chuva para abastecer os mananciais paulistas.

Esse vídeo é a primeira parte do documentário “Dança da Chuva”. A segunda parte – “Manancial subterrâneo” – pode ser conferida aqui.

Fonte: Pesquisa Fapesp

Agrofloresta – Agricultura recuperando o meio ambiente

É possível conciliar alta produtividade agropecuária e recuperação ambiental no mesmo espaço?

Para muitos, essa questão tem uma resposta simples: sistemas agroflorestais. A técnica já é antiga, mas no Brasil ela vem sendo bastante pesquisada e desenvolvida, atingindo produtividade maior que sistemas convencionais. Ernst Götsch, pesquisador suíço radicado no Brasil, desenvolve a técnica há mais de 30 anos em uma fazenda no interior da Bahia, onde recuperou 14 córregos anteriormente secos e aumentou a pluviosidade na região enquanto planta cacau de primeira qualidade. E em Brasília, onde durante metade do ano praticamente não chove, agricultores economizam água e produzem mais com a agrofloresta.

Fonte: Câmara dos Deputados

Experiências bem-sucedidas de sistemas agroflorestais (SAF)

O sistema agroflorestal, também chamado de agrofloresta ou SAF, traz vantagens econômicas, sociais e ambientais, principalmente para a agricultura familiar. Combinando espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos alimentares de ciclo curto, o SAF permite colheitas desde o primeiro ano de implantação, de forma que o produtor obtenha rendimentos provenientes de culturas anuais, hortaliças e frutíferas de ciclo curto enquanto aguarda a maturação das espécies florestais e das frutíferas de ciclo mais longo.

Matéria publicada no programa Dia de Campo na TV, da Embrapa.

Agrofloresta em grande escala

O Agenda Gotsch segue em sua proposta de buscar histórias reais de experiências que estão dando certo. Neste episódio, apresenta uma experiência de agrofloresta em grande escala que está acontecendo no interior de São Paulo, na Fazenda da Toca.

Fonte: Agenda Gotsch

Agrofloresta Neolítica – Sistemas transicionais de agrupamentos humanos florestais

Projeto do grupo PRETATERRA denominado “Restauração compatível com igualdade de gênero e a mudança do clima”, que trata da implantação de agroflorestas em comunidades agroextrativistas na Amazônia.

Foram mapeados, sistematizados e prototipados sistemas produtivos florestais milenares, ancestrais e tradicionais, como alternativa ao uso da coivara (corte e queima).

Neste primeiro vídeo da série “Agrofloresta Neolítica – Sistemas transicionais de agrupamentos humanos florestais”, é explicado um pouco da lógica do plantio em clareiras na floresta, e apresentada a área de implantação, uma mata secundária, tradicionalmente chamada de capoeira, e as primeiras operações de manejo para abertura da área.

Acompanhe outros vídeos da série e o trabalho do PRETATERRA clicando aqui.

Agapan Debate: Agrotóxicos

Palestra do Engenheiro Agrônomo Sebastião Pinheiro em evento promovido pela Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Fonte: Agapan

Sementes crioulas – Cultivando a biodiversidade para as gerações futuras

A semente crioula é compreendida como patrimônio da humanidade, mas com a concentração de monopólios, o uso intensivo de agrotóxicos e a introdução de transgênicos, muitas variedades vem sendo perdidas. Como forma de resistência, entidades e grupos sociais fazem ações diferenciadas com excelentes resultados.

Documentário produzido pelo Instituto Cultural Padre Josimo – 2011 – também legendado em inglês.

TEDx Talks – Não queremos ser extintos

Como nos expressar em um mundo de cooperação e abundância? A bióloga Mônica Passarinho apresenta sua proposta de usar a educação para resgatar o vínculo com a natureza a partir da produção de comida e do ato de se alimentar. A natureza, afinal, não é um recurso, mas sim algo do qual o ser humano faz parte. O aprendizado com a natureza potencializa a empatia por todas as formas de vida e essa mudança de percepção pode ser a chave para evitar a extinção da espécie humana.

Fonte: TEDx Talks

Receita de Biofertilizante – Bokashi

Ingredientes:

  • 1 balde (= 20 litros) solo da mata
  • 1 litro de leite
  • 1 kg açúcar mascavo ou melado
  • 2 copos pó de pedra
  • 1 balde farelo de qualquer cereal (milho, arroz, trigo, etc.)

 

Modo de preparo:

Misturar todos os ingredientes e umidificar um pouco até ficar uma farofa molhada.

Acomodar no balde e fechar com saco plástico.

Deixar a mistura descansar por 40 dias, na sombra.

 

Como tratar o esgoto de forma ecológica

BACIA DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO

O BET (Bacia de Evapotranspiração), também chamado de TEvap (Tanque de Evapotranspiração) e popularmente conhecido como Fossa de Bananeiras é uma técnica difundida por permacultores de diversas nacionalidades e que representa uma alternativa sustentável para o tratamento domiciliar de águas negras em zonas urbanas e periurbanas.

Consiste basicamente em um tanque impermeabilizado, preenchido com diferentes camadas de substrato e plantado com espécies vegetais de crescimento rápido e alta demanda por água, de preferência com folhas largas (bananeiras, taióba). O sistema recebe o efluente dos vasos sanitários, que passa por processos naturais de degradação microbiana da matéria orgânica, mineralização de nutrientes, e a consequente absorção e evapotranspiração da água pelas plantas. Portanto, trata-se de um sistema fechado que transforma os resíduos humanos em nutrientes e que trata, de forma limpa e ecológica, a água envolvida. Diferente de outros sistemas, a água presente neste processo retorna ao ambiente na forma de vapor através da transpiração das folhas, daí seu nome. Assim, o sistema de evapotranspiração evita a poluição do solo, dos lençóis freáticos, dos rios e mares.

A utilização de sistemas plantados para tratamento de esgotos já é comum em diversas partes do mundo (EPA, 2000); (Larsson, 2003).

FUNCIONAMENTO E PRINCÍPIOS

Um pré-requisito para o uso da BET é a separação da água servida na casa, em cinza e negra. Apenas a água negra, a que sai dos sanitários, deve ser direcionada para o sistema. A água cinza, aquela que sai da máquina de lavar, pias e chuveiros, deve ir para outro sistema de tratamento como por exemplo um filtro biológico.

Fermentação
A água negra é decomposta pelo processo de fermentação (digestão anaeróbica) realizado pelas bactérias na câmara bio-séptica de pneus e nos espaços criados entre as pedras e tijolos colocados ao lado da câmara.

Segurança
Os agentes patogênico são enclausurados no sistema pois não há como garantir sua eliminação completa e isso só é possível graças ao fato da bacia ser fechada, sem saídas para a água. A bacia precisa de espaços livres para o volume total de água e resíduos humanos recebidos durante um dia. A bacia deve ser construída de forma a evitar infiltrações e vazamentos.

Percolação
Como a água está presa na bacia ela percola de baixo para cima e com isso, depois de separada dos resíduos humanos, vai passando pelas camadas de brita, areia e solo, chegando até as raízes das plantas, 99% limpas.

Evapotranspiração
Sem sombras de dúvidas esse é um dos processos mais interessantes do sistema BET. Através da evapotranspiração realizada pelas plantas, principalmente as de folhas largas (bananeiras, mamoeiros, caetés, taioba, etc. ) , a água limpa é devolvida ao meio ambiente. Além disso, as plantas também consomem os nutrientes produzidos em seu processo de crescimento, permitindo que a bacia nunca encha.

Manejo
Primeiro (obrigatório), a cobertura vegetal morta deve ser sempre completada com as próprias folhas que caem das plantas e os caules das bananeiras depois de colhidos os frutos. E, quando necessário, essa camada deve ser complementada com as aparas de podas de gramas e de outras plantas do jardim, impedindo assim que as águas das chuvas penetrem demais o sistema.
Segundo (opcional), de tempos em tempos deve-se observar os dutos de inspeção e coletar amostras de água para exames. Outro ponto importante é que se deve observar a caixa de extravase, para checar se dimensionamento foi correto. Essa caixa só deve existir se for exigida por órgão públicos para que se possa fazer a ligação do sistema com o canal pluvial ou de esgoto.

Quer aprender como construir seu próprio sistema BET? Então entre aqui.

Fonte: Pedro Monteiro / Ecoeficientes

ECOAGRI apoia Cursos de Agrofloresta para Crianças

O portal ECOAGRI está apoiando Cursos de Agrofloresta para Crianças em todo o Brasil.

A primeira edição ocorreu no Sítio São Benedito, localizado no município de Monteiro Lobato / SP, e contou com um grande e entusiasmado envolvimentos de alunos de uma escola da região. O curso contou com o patrocínio da NETVMI.

O objetivo é colocar em pauta a importância de garantir com que as crianças cresçam e se desenvolvam em contato direto com a natureza. As crianças colocam a mão na terra, aprendendo desde os cuidados com o preparo do solo até boas práticas de plantio e manejo. Tudo isso, experimentando novos sabores e descobrindo a importante relação entre a saúde e a natureza.

Confira como foi essa experiência:

E aí, gostou? Quer participar?

O ECOAGRI quer disseminar essa ideia em todo o Brasil. Se você tem interesse em participar e divulgar o seu local, estamos abertos a conversar. Entre em contato conosco para mais informações! Participe!

Globo Rural – Agricultura Sintrópica

Um sistema que junta, na mesma área, a produção de hortaliças, frutas e madeira. É a agricultura sintrópica, que também recupera áreas degradas e protege o meio ambiente. O Globo Rural visitou a fazenda de Ernst Götsch, criador desse sistema. Ele nasceu nas Suíça, onde estudou e trabalhou com melhoramento genético. (Assista aos vídeos)

Entretanto, ele foi virar agricultor e pesquisador do outro lado do oceano. Passou pela Costa Rica e chegou ao Brasil nos anos 80. Em Piraí do Norte (BA), comprou terra barata, mas com um nome assustador: Fazenda Fugidos da Terra Seca. Área desmatada, explorada com cultivo de mandioca e criação de suínos e depois, abandonada. “O nosso problema no início era água”, explica o agricultor.

Já faz tempo que a propriedade recuperou o nome original, descoberto em documentos antigos: Fazenda Olhos D’Água. A vegetação foi recomposta, o solo recuperado, com agricultura associada a floresta: a agrofloresta.

A definição de sintropia é o contrário de entropia, termo associado a desorganização, degradação de sistemas, a perdas de energia. A agricultura sintrópica propõe reordenar, restaurar o ambiente natural, a floresta. São ideias que atraem, a cada ano, centenas de pessoas para os cursos oferecidos por Ernst e o agricultor Henrique Souza.

Fonte: Globo Rural

A bastardização dos alimentos

Desde a época em que trabalhei como pesquisador na Seção de “Matéria Prima” do Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas, nas décadas de 70 e 80, que eu achava muito estranha aquela visão puramente industrial de se conceituar os alimentos. Naquela visão industrialista, os alimentos na sua forma natural não passavam de meras, e por conseguinte desvalorizadas, “matérias primas” destinadas a produzir, na visão míope daquela época, um alimento “superior” industrializado, padronizado, massificado, mas porém, desvitalizado e, por isso mesmo, bastardizado.

Na década de 80, o bacana era alimento industrializado. Sucos de fruta com reduzido valor nutricional, “leite” de soja alergênico, leite longa vida UHT totalmente desprovido de suas enzimas e vitaminas, carnes embutidas e conservadas repletas de sódio e de nitratos cancerígenos, frutas em calda ou em forma de doces de corte repletos de açúcar e por conseguinte obesogênicos, margarina com óleos ômega-6 pro-inflamatórios e gordura trans, mas vendidas como “boa para o coração” até com o aval, que eu duvido que tenha sido de maneira desinteressada, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Vivíamos a época da “fortificação” dos alimentos, ou seja, removia-se todos os minerais e vitaminas no processo de beneficiamento dos grãos e depois “inteligentemente” se adicionava ferro numa forma inorgânica de baixa absorção pelo organismo e que contribui ainda mais para o problema da sobrecarga férrica ou Iron Overload, além de acido fólico também em uma forma inexistente nos alimentos e que hoje sabemos fazer mais mal do que bem, posto que está em uma forma não metilada e, portanto, não natural.

Jamais foi, por aqueles senhores que fundaram o ITAL, reconhecido o fato incontestável e cristalino que, nem com toda a nossa imensa tecnologia disponível, nem mesmo com a tecnologia disponível hoje em dia, a industria de alimentos seria capaz de melhorar a qualidade de qualquer alimento pelo processamento desses mesmos alimentos. Jamais em tempo algum. Ponto final.

Quando muito, o processamento poderia manter a qualidade, aumentar a vida de prateleira, e até maximizar os lucros evitando perdas desnecessárias mas sempre as custas da diminuição da qualidade original desses mesmos alimentos, até o ponto deles se tornarem meras sombras daqueles alimentos originais e o maior exemplo desse processo todo seria o pão, conforme bem lembrado pelo meu amigo e colega Graeme Sait em seu ultimo artigo ( 1 ).

A grande realidade, que muitos ainda se recusam a ver, é que nós humanos, apesar de todas as conquistas tecnológicas, ainda somos os mesmos homens da caverna de cerca de 330 gerações atrás, que viviam da caça e da coleta de alimentos e que depois evoluíram para o cultivo e a coleta de cereais. Estamos programados geneticamente e evolutivamente para consumir alimentos de preferência frescos, não processados, diretamente da sua fonte e que, voltar a consumir alimentos com essas características, pode ter um efeito regenerativo muito grande no nosso organismo.

 

O PÃO NOSSO DE CADA DIA

Alguém ainda tem alguma dúvida de que essa “coisa “ vendida nas padarias brasileiras sob o rótulo de “pãozinho francês” é apenas uma sombra do que foi o pão verdadeiro imortalizado até na oração católica, O Pai Nosso, deixada para todos nós por Jesus Cristo ?

Como é possível conceber, que o alimento que serviu de base para a humanidade, seja hoje um alimento proscrito por ser causador de “intolerâncias” alimentares e ser apontado como um vilão alergênico e obesogênico ?

Quem imaginaria que o sagrado “pão nosso de cada dia” chegaria a ser tão difamado e tão denegrido ? Até ler o artigo do Graeme Sait, eu ainda não tinha pensado nessa hipótese, mas parte da resposta talvez esteja mesmo na chamada “Revolução Verde” e a outra parte na forma de como o pão é feito hoje em dia.

Não é novidade para ninguém que hoje nós vivemos mergulhados, por assim dizer, em um oceano de doenças inflamatórias e degenerativas, a grande maioria das quais perfeitamente reversíveis pela dieta. Existem estudos que demonstram que mais de 70% daquilo que nos torna doentes ou nos mata tem origem na nossa alimentação.

Isso não chega a ser novidade para ninguém. O famoso provérbio de que “você é aquilo que come” ainda continua válido depois de tanto tempo.

Quando nós transformamos uma farinha integral em refinada, nós removemos cerca de 80% do valor nutritivo desse alimento. O pão nesse contexto se transforma em um anti-nutriente.

Um dos processos que requerem mais energia no corpo humano é o processo digestivo, ou simplesmente a digestão e esse processo é movido a nutrientes. Quando um alimento com uma quantidade de nutrientes tão baixa é fornecida ao corpo, e esse alimento ainda precisa ser digerido, pode ocorrer o que é conhecido como perda liquida ( net loss ) de nutrição, que ocorre quando a quantidade de energia que entra no sistema é inferior a quantidade de energia produzida no final do processo. O balanço energético, nesse caso, é negativo.

 

UM MUTANTE DESMINERALIZADO

A bastardização do pão ancestral, que proporcionou o surgimento da humanidade como nós a conhecemos hoje em dia, começou, ao que tudo indica, com a controvertida “Revolução Verde”. Norman Bourlag, seu idealizador, selecionou híbridos que não cresciam muito para que pudessem receber maior quantidade de fertilizante e com isso produzir mais, sem que as plantas tombassem ( “acamamento”), o que era uma característica das plantas de trigo pré Revolução Verde.

Ocorre que, para isso, ele não recorreu aos métodos tradicionais de cruzamento para produzir sementes híbridas mas irradiou as sementes das variedades tradicionais e selecionou mutantes que hoje se tornaram as variedades consumidas por todos nós. Esse trigo mutante de menor estatura, solucionou o problema de perda de produção ligadas as dificuldades na colheita daquelas plantas que “acamavam” ( tombavam) devido ao seu tamanho e sob o efeito do vento.

Entretanto, esse aumento de produtividade ocorreu as custas de perdas na densidade nutritiva dos grãos de trigo. Sait cita que as variedades de trigo consumidas hoje em dia absorvem menos 50% de Ferro, menos 30% de Cálcio e Magnésio e 20% menos microelementos do que os trigos varietais originais de polinização aberta ( 1 ). Esse mesmo quadro também ocorre entre as variedades híbridas de milho e isso já era sabido desde a década de 30.

Porém, existe um mineral que esse cereal nutricionalmente comprometido não consegue mais absorver. Esse mineral é justamente um elemento raramente considerado em programas de fertilidade e adubação de gramíneas, ou seja, o cobalto. Por menos importante que isso possa parecer, o cobalto é o elemento central de uma importante vitamina, a B12 . Uma das principais razões da maioria de nós hoje sermos carente dessa vitamina é devido a ausência de cobalto no nosso alimento mais consumido.

 

QUEM PRECISA DESSA “TECNOLOGIA” DE ALIMENTOS?

Os três únicos ingredientes do pão tradicional seriam, fermento natural, farinha de trigo e sal.

Entretanto, hoje em dia, a maioria das padarias usam as chamadas “misturas prontas” que podem conter entre outros, leite em pó, vários tipos de gorduras vegetais, farinha de soja, açúcar, enzima alfa-amilase, e vários tipos de conservantes químicos e “melhoradores” de farinha, um eufemismo para designar alguns tipos de ingredientes químicos exóticos como azodicarbonamida (ADA), que é também um dos ingredientes na fabricação de plásticos (PVC). Essa substância, a ADA, foi removida de todos os produtos de diversas cadeias de fast food americanas devido a sua má reputação, mas no Brasil ainda é amplamente usado. Desde 2005 essa substância foi banida pela União Européia e pela Australia para a fabricação de plásticos cujos usos incluem contato direto com os alimentos.

Quem vocês acham que é um dos principais produtores de azodicarbonamida (ADA) ou aditivo 927a ou ainda aditivo “melhorador” de farinha INS 927a ?

Acertou quem respondeu: A empresa Novozymes que faz parte do grupo Monsanto!

Obviamente, não temos outra alternativa, a não ser desconfiar, quando vemos um portal, supostamente informativo defendendo o uso do ADA , como o site do médico Global, Drauzio Varela, mantido pela UOL, que garante que esse produto, banido em vários países (reconhecidamente causador de alergias alimentares, e proibido na Australia por causar Hiperatividade, Asma, Urticaria, Insônia e Distúrbios no metabolismo da Vitamina E) não faria mal a sua saúde.

Dessa forma, esse seria ainda um motivo a mais para entendermos que esse produto químico deva fazer exatamente o oposto do que é apregoado nesse portal de aluguel ( 3 ).

 

COMPROMETENDO MINERAIS IMPORTANTES E ENZIMAS PRECIOSAS

As duas maiores carências de minerais do mundo ocidental são de Magnésio e Zinco e é importante entender as causas subjacentes dessas carências generalizadas. Existe uma grande correlação entre o consumo de cereais, o consumo excessivo de pães e a carência de zinco e magnésio. Cereais e grãos contem um ácido natural chamado ácido fítico que se liga fortemente a esses dois minerais tornando-os inaproveitáveis pelo corpo humano. Os compostos formados, fitato de magnésio e fitato de zinco são insolúveis e são geralmente excretados, ao invés de serem absorvidos e aproveitados pelo corpo humano. É importante ressaltar que o ácido fítico é um componente natural de grãos e cereais e que a soja contém a maior quantidade desse composto natural entre todos eles. Os fitatos também são capazes de bloquear a absorção de Cálcio, Ferro, Cobre além de Zinco e Magnésio.

Outro fator que compromete a nutrição adequada é a existência de inibidores enzimáticos tanto nos grãos quanto nos cereais. A menos que os grãos e cereais sejam devidamente preparados para serem consumidos, por meio da neutralização dos fitatos e dos inibidores enzimáticos, esses anti nutrientes irão interferir na necessária absorção dos minerais.

A melhor estratégia para neutralizar esses anti nutrientes nos grãos e cereais seria por intermédio da Pré-Germinação (Hidratação) e da Germinação propriamente dita. Ao serem colocados em contato com a umidade (água), os Lactobacillus que fazem parte da flora normalmente encontradas nesses alimentos se multiplicam, além de permitir que as enzimas e outros organismos benéficos, como as Leveduras, degradem e neutralizem grande parte do ácido fítico contido nos grãos.

A ação dessas enzimas também aumentam a quantidade de várias vitaminas do complexo B. Durante o processo de hidratação e fermentação, o glúten e outras proteínas difíceis de digerir são parcialmente “quebradas” em componentes mais simples de serem digeridos.

Podemos listar 10 bons motivos para hidratar e germinar grãos, cereais e nozes antes de consumi-los :

  1. Remover ou reduzir o ácido fítico.
  2. Remover os taninos.
  3. Neutralizar os inibidores enzimáticos.
  4. Aumentar a produção de enzimas benéficas.
  5. Aumentar as quantidade de vitaminas, especialmente do Complexo B.
  6. Degradar o glúten e facilitar a digestão.
  7. Tornar as proteínas mais prontamente disponíveis para a absorção.
  8. Prenevir deficiências minerais e perda óssea.
  9. Neutralizar toxinas no cólon e mantê-lo limpo.
  10. Prevenir várias doenças e condições de saúde.

Nesse esse ponto vocês já devem estar se perguntando se existiria uma forma segura de consumir pão ? A resposta é sim. Ela existe. E é por isso que de agora em diante vocês irão presenciar um aumento significativo de padarias artesanais destinadas a produzir o pão artesanal de fermentação natural ou chamado sourdough bread.

Esse é o verdadeiro pão. Qualquer outro tipo industrializado não passaria de uma versão “Fake”, ou mais um Fake Food, como é o caso do “pãozinho francês “.

Os próbioticos que trabalham ativamente na fermentação da massa do pão artesanal não somente predigerem a farinha dos grãos de trigo para aumentar a sua biodisponibilidade, mas eles também consomem e neutralizam o ácido fítico.

Aveia, por exemplo, não deveria ser consumida crua sem hidratação ou sem pré fermentação. O excelente livro da Sally Fallon traz inúmeras receitas de como consumir grãos e cereais, eliminando os chamados fatores anti nutricionais ( 4 ).

Como inóculos podemos lançar mão de produtos fermentados vivos como por exemplo o FloraNew ( ANew) ou até mesmo capsulas de Lactobacillus.

 

UM ALIMENTO ACIDIFICANTE QUE ENCURTA A VIDA

O nosso equilibrio entre acidez e alcalinidade é muito mais importante do que muitos imaginam. Esse tema foi trazido a tona pela primeira vez por Carey Reams, carinhosamente chamado de “Doc “ por quem o conheceu ( 5 ). Na verdade ele foi a criador da agricultura que hoje é conhecida como “Biological Agriculture” com a sua “Teoria da Ionização” e influenciou toda uma geração de consultores que ajudaram a criar o que hoje é conhecido por Agricultura Biológica ou Regenerativa.

Embora o status quo médico irá lhe dizer que o sangue tem um sistema de auto ajuste do pH, o assunto da acidez metabólica é uma história completamente diferente e hoje, após 40 anos de RTBI (Reams Theory of Biological Ionization), nós temos um volume muito grande de evidências clinicas e de pesquisa que demonstram que a acidez da saliva e da urina são fatores pre determinantes no surgimento de diversas doenças, e não o pH do sangue que sempre vai estar em homeostase.

Ambos fluidos corpóreos, saliva e urina, devem ter idealmente um pH de 6.4 , pela manhã e a maioria das pessoas estão muito acidas, com pH geralmente em torno de 6.0, se avaliadas por esse parâmetro.

Existem vários fatores causadores dessa epidemia de acidez tais como, stress, baixo consumo de frutas e hortaliças, consumo excessivo de proteínas, deficiência do mineral mais alcalinizante, que é o Magnésio, e uma abundância e consumo exagerado de carboidratos refinados, sendo que, os mais acidificantes seriam o açúcar e o pão.

E como o Brasil é o país da piada pronta, o chamado “Pão Francês” só existe por aqui mesmo sendo totalmente desconhecido na França da forma como ele é feito aqui nas terras tupiniquins.

O pão convencional “francês” é um alimento altamente acidificante que, de quebra, quelatiza o mineral mais alcalinizante, o Magnésio, que também é um dos maiores aliviadores de stress que existem ( 2 ). Essa é a razão dos sucos verdes que contém clorofila, e por conseguinte magnésio, serem bastante usados com a finalidade de reduzir a acidez e é por isso mesmo que são tão eficientes.

 

A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA : FAÇA O SEU PRÓPRIO PÃO!

Algumas vezes se quisermos recuperar a nossa própria saúde, isso irá requerer algum esforço e dedicação. Fazer o nosso próprio pão seria uma das forma de nos livrarmos de uma só vez de toda essa contaminação diária de glifosato usando farinha de trigo orgânica, de nos livrarmos de um alimento acidificante cujo balanço energético é proximo de negativo, cheio de contaminantes químicos, incluindo o Azodicarbonamida, ou INS 297a e, ainda por cima, de um ladrão de minerais essenciais como zinco e magnésio.

O pão ficaria ainda melhor se pudéssemos utilizar o Spelt que é um parente ancestral do trigo e que nunca foi manipulado geneticamente. Ele contém mais proteína que o trigo e é um dos raros cereais que possui ação alcalinizante no nosso corpo. O spelt é muito mais denso em nutrição que o seu primo mutante e contém uma quantidade significativa menor de gluten. Tudo de bom em um único cereal e ainda pode se transformado em pão.

Fica aqui, então, a dica para os agricultores mais imaginativos e inovadores para cultivar o Spelt. E para finalizar eu lembro as palavras de Graeme Sait quando disse : “ Não é difícil escapar de alimentos bastardizados, mas é uma estratégia essencial se quisermos sobreviver nesse mundo comoditizado”. A porcentagem de alimentos industrializados no seu carrinho de supermercado é geralmente um indicativo da sua saúde e longevidade. Nós fomos projetados para consumir alimentos frescos e integrais e se abraçarmos o caminho da alimentação natural, é inevitável que comecemos a ter uma idéia exata dos alimentos como medicinais.

 

José Luiz M Garcia
Setembro de 2018.

 

REFERÊNCIAS

  1. Sait, Graeme (2018) The Bastardization of our Food – The Daily Bread Story ,
    https://blog.nutri-tech.com.au/the-bastardisation-of-our-food/
  2. Dean, Carolyn (2007) The Magnesium Miracle, Ballantine Books, N.Y., 309 pgs.
  3. Azodicarbonamide 927a.
    https://noshly.com/additive/927a/flour-treatment-agent/927a/
  4. Fallon, S. & M. G.Enig ( 2001) Nourishing Traditions, New Trends Publishing Inc, Washington, D.C., 674 pgs.
  5. Reams, Carey (1978) Chose Life or Death: Reams Biological Theory of Ionization, New Leaf Press Inc., 176 pgs.
    http://groenning.de/download/choose_life_or_death_rbti_carey_reams.pdf

 

Fonte: Viriditas

Análise financeira de sistemas agrícolas

Este documento auxilia no planejamento de Sistemas Produtivos Integrados (SPIs). Com ele podemos executar, de uma maneira simples e transparente, as análises financeiras pertinentes, bem como a avaliação do projeto agrícola e a comprovação de que sua utilização é viável sob ponto de vista financeiro.

Apresenta-se também uma planilha eletrônica que é utilizada para executar a análise financeira de SPIs, de forma intuitiva.

A planilha fornece os principais indicadores para avaliação de projetos, assim como o fluxo de caixa detalhado do sistema de produção, informações complementares e gráficos, para auxiliar a análise e melhoria do desenho do sistema.

Além destes aspectos, é possível realizar uma série de simulações, levando em consideração estimativas de perdas (produção, armazenagem, transporte, entre outras), variações nos custos e nos preços dos produtos, as quais produzirão um novo conjunto de indicadores financeiros e fluxo de caixa e novos gráficos, permitindo comparações com a situação ideal planejada do sistema e a avaliação de diferentes cenários.

Arquivos para download:

 

Terra preta de índio

Poucos sabem, mas a exuberância da floresta Amazônica esconde um solo pobre em nutrientes. Isso porque as altas temperaturas e umidade costumam fazer a matéria orgânica e os nutrientes armazenados no solo terem vida muito curta.

De uma forma geral, a riqueza do latossolo (solo mais comum na região) é apenas superficial, e vem da decomposição de galhos, folhas e animais. Entretanto na imensidão da Região Amazônica existem manchas de um solo bem diferente: A TPI, ou Terra Preta de Índio, um solo antrópico, isto é, resultado direto da ação humana. Isso explica por que são encontrados vestígios do dia a dia dos povos que habitavam estas áreas, o que nos leva a afirmar que a presença da TPI representa um dos mais marcantes registros da antiga ocupação humana na região amazônica.

Estima-se que as áreas de TPI abrangem de 6 a 18 mil km quadrados da bacia amazônica. A espantosa fertilidade deste solo escuro chama a atenção de pesquisadores do mundo inteiro, e para explanar sobre o assunto, convidamos especialistas nas áreas de antropologia, ecologia e agronomia de instituições como Ufam, Embrapa e INPA.

Ainda pouco se sabe sobre a terra preta de índio… sua origem, propriedades e seus possíveis benefícios econômicos, sociais e ecológicos. Mas uma coisa é certa: para enxergarmos um futuro fértil, precisamos nos voltar para o passado do homem amazônico. Esta é a terra preta de índio, uma terra fértil e cheia de histórias.

Fonte: Nova Amazônia

Curso de Introdução à Horta Urbana Orgânica

Aprenda a plantar seu próprio alimento, na sua casa e sem a utilização de venenos ou adubos químicos. Em um mundo tão corrido onde nosso alimento e nossas vidas foram comprometidas pela competição, trânsito, estress, diabétes, cancêr e muitas outras coisas, vamos juntos reaprender a ter uma comida mais nutritiva, saborosa e ter uma vida melhor.

Plantando seu próprio alimento você se reconecta com a natureza, desenvolve novas habilidades e garante uma vida mais saudável.

Serão 10 aulas onde você vai aprender sobre planejamento, substrato e adubação, a importância da água, escolher o que plantar, ferramentas e materiais, montagem dos vasos, sementes e muito mais.

Vamos juntos criar um mundo melhor para vivermos com mais harmônia e você só precisa dar o primeiro passo, vamos juntos começar?

VANTAGENS

São 10 vídeo-aulas onde você vai aprender desde o planejamento da horta até a colheita com imagens explicativas e aulas produzidas pensando em você e seu aprendizado.

Para mais informações, acesse:

https://pages.hotmart.com/i7452488k/curso-de-introducao-a-horta-urbana-organica/

Curso de elaboração de Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMAs)

Estão abertas as inscrições para o curso online de elaboração de Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMAs).

A iniciativa faz parte do projeto “Fortalecendo os Conselhos Municipais de Meio Ambiente por meio dos PMMAs”, realizado pela Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA) com apoio da ONU Meio Ambiente.

Serão abertas 5 turmas, cada uma com 800 vagas, seguindo o cronograma abaixo:

  • Tuma 1: SC e RS, com início em 18/04/18 e término em 02/07/18
  • Tuma 2: SP e RJ, com início em 08/06/18 e término em 20/08/18
  • Tuma 3: PR, GO, MS e PI, com início em 27/07/18 e término em 09/10/18
  • Tuma 4: BA, AL, SE, PE, PB, RN e CE, com início em 18/09/18 e término em 30/11/18
  • Tuma 5: MG e ES, com início em 21/11/18 e término em 28/02/19

Inscrições através do link:
http://www.ambiental.etc.br/cursos

Curso de Sistemas Agroflorestais – SAF

As agroflorestas são uma alternativa ao modelo de produção agrícola tradicional, em que se harmonizam a produção com a conservação. Têm se mostrado interessantes do ponto de vista ambiental, econômico e social, e são baseadas em nos princípios que resgatam as relações do ser humano e seu ambiente preconizados pelo estudioso suíço Ernst Goetsch. Além de representar um modo diferente de plantar e colher, a busca de reproduzir a dinâmica da floresta para produção de alimentos proporciona a oportunidade de recuperar a cobertura vegetal em áreas degradadas ou protegidas, com contribuições para a segurança alimentar, a geração de renda e a conservação ambiental. O curso é direcionado a agricultores, técnicos, estudantes e interessados em geral.

Mais informações em http://pdrsead.fia.com.br/

Agroflorestando as Serras

Documentário sobre a experiência de 14 produtores da Cooperativa Entre Serras e Águas, na implantação das áreas de agrofloresta, durante a execução do Programa Microbacias II-PDRS, de 2014 a 2017, na Região Bragantina.

Fonte: Cooperativa Entre Serras e Águas

A bluevision de Ernst Götsch

Conheça a trajetória do suíço de 70 anos que criou a agricultura sintrópica, formou milhares de fazendeiros com a técnica e transformou 5 hectares na Bahia com seu método inovador.

Fonte: bluevision

Primeiros projetos de agroflorestas são aprovados no Rio de Janeiro

Os agricultores que produzem alimentos em sistemas agroflorestais podem ter problemas com órgãos da área ambiental ao cortar e podar a Mata Atlântica sem autorização. Para diminuir este tipo de conflito, o estado do Rio de Janeiro regulamentou a prática de agroflorestas e sistemas de pousio em 2016. Na última quarta feira, dia 16 de maio, os primeiros seis produtores tiveram seus projetos aprovados e receberam autorização de manejo para poder trabalhar com mais tranquilidade.

Fonte: Informe Freelance

Caravana #DFSustentável: Pescando fora do aquário

Conectamos gente que faz sustentabilidade há décadas no DF com quem quer começar a fazer hoje. Dona Raimundinha e a direção da associação “A Pátria”, de moradia popular pode conhecer os projetos da #HortaGirassol, do #NósnaTeia e do #SitioGeranium. Uma troca incrível!

Fonte: https://youtu.be/LPKALU5CaV8

Por que os alimentos orgânicos são mais caros?

Os produtos orgânicos certificados são geralmente mais caros do que os convencionais, por várias razões, tais como o fornecimento destes alimentos é limitado em relação à demanda por eles; os custos de produção tendem a serem maiores, porque eles exigem mais trabalho por unidade de produção; o manuseio pós-colheita de quantidades relativamente pequenas desses alimentos têm um custo mais elevado especialmente durante o processamento e transporte; e, a cadeia de comercialização e distribuição de produtos orgânicos é um tanto ineficiente e os custos são mais elevados, porque são relativamente distribuídos pequenos volumes. Portanto, com o aumento da demanda por alimentos orgânicos, as inovações tecnológicas e economias de escala devem reduzir os custos de produção, transformação, distribuição e comercialização de produtos orgânicos.

Produtos orgânicos ganharam grande popularidade por duas razões principais.

Em primeiro lugar, o consumidor percebe como alimentos saudáveis os livres de pesticidas e fertilizantes. Em segundo lugar, eles contribuem para a preservação do meio ambiente.

Os consumidores que optam por consumir os orgânicos, não levam em consideração o alto preço em relação aos produtos convencionais, haja vista que acreditam ser um investimento na saúde, pois ao consumirem os produtos orgânicos estarão contribuindo para a saúde pessoal e para a melhoria do planeta (NEVES, 2012).

Os princípios agroecológicos da produção de alimentos orgânicos contemplam o uso saudável e responsável do solo, do ar, da água e dos demais recursos naturais, evitando a contaminação e desperdícios desses elementos e contribuindo para o desenvolvimento sustentável (NEVES, 2012).

 

Referência

NEVES, D. A. L. Escolhas estratégicas para produção de carne bovina orgânica no Brasil: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, 2012, 141 p. Dissertação de Mestrado, 2012.

 

Fonte: Portal Educação

Animação explica para crianças o que é agroecologia e sobre a importância da alimentação orgânica

A relação com os alimentos também é aprendida desde os primeiros anos de vida da criança. Para isso, é preciso nutrir a criança com alimentos saudáveis, frutas e legumes frescos, claro, mas também com exemplos e informações. Contudo, nem sempre é uma tarefa simples explicar à elas sobre a importância de se alimentar com legumes e frutas orgânicas, e sobre o processo de produção envolvido na trajetória dos alimentos, desde a plantação, até o prato.

Comer também é aprender: como a alimentação na escola faz parte do processo de aprendizagem integral da criança

A animação “Comida que Alimenta”, desenvolvida pela Sabiá, uma ONG que atua com a implantação de sistemas agroflorestais, recuperação de nascentes e educação, pode ser um bom caminho para apresentar esses temas às crianças. O vídeo mostra uma conversa entre uma menina, sua mãe, e um agricultor sobre o quanto é melhor comer produtos agroecológicos.

Confira:

Com informações de Corujices.

Fonte: Catraquinha

A Agricultura no século 20

Justus von Liebig

O ano é 1824. O país, Alemanha. A cidade, Giessen. O famoso cientista Justus von Liebig, aquele que inspiraria todo estudante de química das décadas seqüentes, é nomeado professor da Universidade de Giessen. Durante 28 anos Liebig ministrou aulas a alunos encantados com as possibilidades da química. Após a 2ª Guerra Mundial, a universidade passa a se chamar Justus Liebig University e seu antigo departamento é transformado em Museu, um dos mais importantes até hoje.

Justus von Liebig

Justus von Liebig é chamado o pai da agricultura moderna. A Lei de Liebig – lei do mínimo – é ensinada aos estudantes de agronomia em todo o mundo. Nela, o crescimento das plantas é determinado pelo elemento presente no solo na mínima quantidade adequada, de maneira mais simples. Isso quer dizer que as plantas crescem de acordo com os elementos encontrados no solo. A partir disso foi fácil concluir que era só adicionar NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) que as plantas cresceriam mais. Esse foi o início da era dos fertilizantes químicos.

A fórmula NPK é vendida até hoje como adubo. Sim, faz as plantas crescerem e em contrapartida enfraquece o solo e faz a planta adoecer. Como um dependente químico, planta e solo perdem sua harmonia, um já não tem capacidade de doar ao outro e ambos adoecem. A invenção de Liebig alimentou em nós a sensação do controle sobre a Natureza. Agora o homem acharia que pode controlar a produção de alimentos, não haveria mais fome: – Queremos o dobro de beterrabas agora! E assim tivemos.

Século 19: O início de tudo?

Por alguns anos todo agricultor que adicionava adubos químicos na terra teve sua produção aumentada, frutos desenvolvidos, boa produtividade. Com o tempo começaram a aparecer invasores, muitos deles. Para que o homem considerasse outros seres uma praga exterminável foi fácil. Gafanhotos, moscas, ratos, bactérias são consideradas pestes enviadas por deuses muito antes dos tempos egípcios. As pragas então poderiam e deveriam ser combatidas. Até aí foram poucos pesquisadores que questionaram de onde vêm as pragas, suas causas. Um deles foi Julius Hensel, contemporâneo de Liebig.

Seu estudo sobre pós de rocha parece ter saído recentemente de um curso sobre agroecologia ou agricultura orgânica e sustentável. Diferentes entre si, tais modelos de agricultura não se apóiam na utilização de fertilizantes ou venenos sintéticos. Abastecem-se de sais minerais encontrados principalmente nas rochas, como fonte elementar para a estrutura química do solo e, assim, das plantas e de quem se alimentar delas. “Alimentos saudáveis, provenientes de um solo saudável geram pessoas saudáveis, nutridas e ainda podem eliminar a fome do mundo”. Era o que Hensel já dizia no século 19, o mesmo slogam da geração de alimentos corretamente ecológicos de hoje.

Hensel e Liebig também podiam ser compatriotas, mas não eram de maneira alguma partidários. Acabar com a fome era uma das metas da Alemanha pré-nazista, o calcanhar de Aquiles para a soberania de qualquer país. Restava saber qual a forma seria utilizada, se os baratos pós de rocha de Hensel – hoje se compra pó de rocha industrializado a preços nada solidários – ou a fabulosa fábrica de fertilizantes.

Revendo o passado

A história nos mostra que a Alemanha do início do século 20 foi culturalmente e cientificamente próspera. De suas fábricas saíram corantes sintéticos, a aspirina, anestésicos, medicamentos, conservantes, fertilizantes e uma infinidade de outras invenções químicas. Suas universidades eram conceituadas, principalmente nos ramos da química e da física. A conquista de mercado pela Alemanha ultrapassava a Europa e se estendia às Américas. Explicar o Nazismo sem considerar a vanguarda da industria química alemã da época é negar as bases tecnológicas que levariam uma nação a enfrentar o restante dos países. Devemos lembrar que os agrotóxicos foram originariamente concebidos como aparatos de guerra e depois reconstituídos e disseminados pelo mundo como defensivos agrícolas. Nesses últimos séculos, muitos pacifistas não foram ouvidos – foram assassinados ou então processados como foi Hensel.

Assim, Liebig continuou seus estudos, sintetizou leite em pó, detergente… ele costumava falar que o homem só seria civilizado se usasse sabonete. E começamos a usar sabão para tudo, até para ‘limpar’ as plantações e colocar mais inseticida. Hoje a gente limpa, limpa, limpa e continua vindo barata, rato, mosca… Com a quantidade de inseticida que já usamos não deveriam eles estar extintos? E por que as araras-azuis e micos-leões é que correm perigo? Hoje tomamos antibiótico e as bactérias parecem uma praga, ficam cada vez mais resistentes. Por que?

Liebig não pôde ver as maravilhas que seus estudos nos trouxeram, até porque não viveu para isso. Se o Prêmio Nobel tivesse sido inventado antes de sua morte, Liebig provavelmente teria um, afinal muitos simpatizantes seus o receberam, como exemplo:

1918, Fritz Haber, Nobel de Química pela síntese de amônia a partir do hidrogênio e nitrogênio, representando assim a invenção dos fertilizantes químicos para agricultura, mas não somente para ela. A amônia é usada na fabricação de bombas e isso possibilitou que a Alemanha fabricasse explosivos. Apesar de colaborar com o exército alemão Haber terminou seus dias exilado, por ser judeu. Ele foi responsável pelo ataque com cloro na batalha de Ypres, ato que foi considerado o estopim para a pior guerra química que a humanidade enfrentou, a 1a Guerra Mundial.

1931, Karl Bosch, Nobel de Química pelo desenvolvimento de métodos para tratamento químico com alta pressão. Bosch foi sucessor de Haber na síntese de amônia, através dele sua produção deu-se em larga escala. Também em larga escala, foi seu processo de produção de hidrogênio e metanol de monóxido de carbono e a fixação de nitrogênio. Graças a esse processo, não faltaria amônia para explosivos nem nitrogênio para fertilizantes. Bosch foi presidente do complexo químico alemão, o famoso cartel chamado IG Farben, antes e durante o regime nazista. Nos complexos da IG Farben, muitos judeus trabalharam como escravos e serviram de cobaias para experimentos químicos.

1939, Paul Muller sintetiza novamente o organoclorado DDT*. Iniciou sua carreira na poderosa Geigy AG, Suíça. Recebe em 1948 o Nobel de Medicina por estudar suas propriedades inseticidas no combate ao vetor da Malária. O DDT foi muito utilizado em guerras para a prevenção de soldados contra pulgas, os vetores da Tifo. Hoje é proibido em todos os países pelas suas propriedades cumulativas, carcinogênicas e teratogênicas. Um produto derivado do DDT, o Neocid, largamente utilizado na agricultura, também é muito comum para matar pulgas e outros insetos.

É preciso lembrar que a derrota dos países em guerra rendeu aos demais seu conhecimento tecnológico. Muitos cientistas japoneses e alemães foram transferidos para os complexos militares e industriais da Rússia, EUA, França, Inglaterra e Suíça sem passar por nenhum julgamento. As fórmulas químicas da IG-Farben foram tratadas como informações secretas e seu complexo industrial dividido entre as empresas Bayer-Basf-AGFa. Após a reconstituição da Europa devastada, o mundo viu surgir a ameaça nuclear com a Guerra Fria. Na disputa entre o mundo livre e a bandeira vermelha, diversos países sofreram na pele os efeitos das armas químicas. E enquanto alguns sofriam represálias, outros recebiam atentados e a maioria foi incentivada a entrar no modelo da agricultura moderna.

O trágico fim

Liebig ficou conhecido pelas suas descobertas na química. Por muitos anos acreditou que o desenvolvimento daria-se somente através da ‘correção’ dos ‘defeitos’ da Natureza pelo homem. Além de grande cientista, Liebig ao final percebeu a grandiosidade da vida através dos processos químicos. Seu legado perpetuou-se por gerações, mas por interesses mercadológicos seu reconhecimento frente ao poder da Natureza não.

Logo após sua morte o Salitre do Chile utilizado na fabricação de explosivos foi monopolizado pelos ingleses (Guerra do Pacifico, 1879 – 1883) e sua moderna industria química tornaria-se a principal fonte alemã de matéria prima para explosivos num futuro próximo. Liebig suicidou-se. Um fato não lembrado pelos livros de história foi sua lápide.

“- Pequei contra a sabedoria do Criador e com razão fui castigado. Queria melhorar o seu trabalho porque acreditava, na minha obsessão, que um elo da assombrosa cadeia de leis que governa e renova constantemente a vida sobre a superfície da Terra tinha sido esquecida. Pareceu-me que este descuido tinha que emendá-lo o frágil e insignificante ser humano.” (1803-1873)**.

Reportagem especial de Clarissa Tag
Revista Consciência.Net, junho de 2005

 

A vida secreta das árvores | Peter Wohlleben

As árvores conversam, conhecem laços familiares e cuidam de seus filhos? Isso é estranho demais para ser verdade? O cientista alemão Peter Wohlleben (“A Vida Secreta das Árvores”) e a cientista Suzanne Simard (Universidade de British Columbia, Canadá) vêm observando e investigando a comunicação entre as árvores ao longo de décadas. E suas descobertas são surpreendentes.

Fonte: Editora Sextante

O papel da Agricultura na nutrição humana

Embora a maioria das pessoas não se dê conta, o papel dos alimentos é o de nutrir as pessoas e os animais de criação. Ou pelo menos deveria ser. Embora, essa afirmação possa parecer óbvia ela, na verdade, passa desapercebida da maioria das pessoas.

Na verdade, já faz algum tempo que os alimentos são produzidos para que sejam trocados por dinheiro. Transformaram-se em “commodities ” . Uma commodity é simplesmente uma “mercadoria “ ou algo dotado de um valor de troca por moeda. Commodity geralmente descreve mercadorias de “baixo valor agregado”.  Quando se deseja verificar o valor de milho, soja, trigo, algodão, café, etc… recorre-se ao caderno de Economia de qualquer jornal ou site de Economia.

Ou seja, alimentos passaram a ser sinônimos de dinheiro e a nutrição, dessa forma, passou a ser um sub-produto do processo de produção de alimentos, ou seja, do processo de geração de riquezas.

Esse enfoque distorcido da realidade, foi percebido já na década de 20 do século passado pelo Dr Rudolf Steiner e seus seguidores, quando deram conta de que os alimentos produzidos em larga escala à base de fertilizantes químicos não estavam nutrindo as pessoas devidamente e já afirmava :

“De fato, pouca gente sabe que durante as últimas décadas os produtos agrícolas, dos quais a nossa vida depende, degeneraram-se extremamente rápido “. E ao mesmo tempo fazia a seguinte pergunta : Quantas décadas mais serão necessárias para que os alimentos não mais sirvam para a alimentação humana ? ( ……)

Quase que ao mesmo tempo, no Japão, Meishu Sama (Mokiti Okada) lançava as bases da sua Agricultura da Natureza (no Brasil traduzido erroneamente como Agricultura Natural) baseada em 5 princípios básicos, sendo que o primeiro deles era: – A Agricultura da Natureza deve produzir alimentos de alta qualidade para a melhoria da saúde humana “. ( ……)

Na década de 40, o Prof. Emérito de Agronomia William Albrecht, PhD, Chefe do Departamento de Solos da Universidade do Missouri, alertava para o fato de que alimentos produzidos à base de N-P-K não forneciam a nutrição adequada e declarava que “ as formulas de adubo contendo somente N, P e K, como as usadas universalmente na agricultura moderna significam má nutrição, ataque por fungos e bactérias, maior incidência de ervas (mato), perdas provocadas pela seca e perda geral da acuidade mental da população, levando a doenças degenerativas e morte prematura “. ( ……)

Eu enfoquei esse assunto no artigo “O Alto Custo de um Sistema Agrícola Falido “ publicado em 2002 na internet e em 2015 nesse mesmo Blog.

Outro artigo enfocando sempre essa problemática foi também escritos, como  “ A Desmineralização crescente dos solos como fator determinante do aumento da incidência das doenças degenerativas ” apresentado no Simpósio sobre Agricultura e Saúde, Hotel Glória- Rio de Janeiro, Julho de 2000. ( ……)

No Brasil, o processo de empobrecimento dos solos que irão gerar alimentos carentes de minerais e demais nutrientes, aparentemente, começou muito antes do descobrimento do nosso país pelos portugueses, pois como é amplamente sabido, os solos brasileiros estão entre os mais velhos geologicamente falando e portanto, entre os mais intemperizados e de baixa fertilidade no planeta.

Na minha opinião, e tenho certeza ser essa a primeira vez em que se apresenta tal teoria, o fato dos habitantes nativos praticarem o canibalismo, é uma indicação segura de que havia carência mineral entre os habitantes daquela época, e em consequência dos solos. Em animais é sabido que o canibalismo é uma prática ligada a carência de minerais, muitas vezes mal interpretada pelos criadores, e que a suplementação mineral desestimula esse habito. De fato, hábitos alimentares degenerados entre os animais tais como, comer terra, comer reboco de construções, comer restos de ossos, são indicações seguras de carência mineral, principalmente cálcio e fósforo.

Pesquisas da National Science Foundation em animais nos diz que eles precisam de pelo menos 45 minerais, 12 amino ácidos essenciais, 16 vitaminas e 3 ácidos graxos essenciais. De acordo com o médico Dr Garry P.Todd, M.D. , o corpo humano necessita de pelo menos 60 minerais para uma nutrição ótima e, basicamente dos mesmos outros nutrientes essenciais que os animais, porém somente 8 minerais estariam disponíveis nos alimentos consumidos hoje em dia, o que torna praticamente impossível obter-se todos os minerais necessários pôr meio da alimentação convencional ( …..)

“A maioria dos solos em todas as regiões do globo encontram-se esgotados de suas reservas minerais não sendo, portanto, possível obter-se os minerais necessários a uma boa nutrição” ( …..)

As carências (e os desequilíbrios) minerais tem sido apontadas como responsáveis pôr um grande número de doenças degenerativas tais como fibrose cística, osteoporose, cardiomiopatia, cerebroplasia, diabetes, atrofia testicular além de várias outras.

Todo o sistema agrícola de pesquisa, ensino e extensão se esforçam para gerar e transmitir tecnologias que promovam a produção de mais  “Toneladas por hectare”,     “ Sacas por hectare” ou “Caixas por hectare”, sem jamais se preocupar com o conteúdo nutricional desses alimentos, partindo do pressuposto de que todos os alimentos, por categoria, contém a mesma composição, o que sabemos não ser verdade.

Vários estudos demonstraram que a qualidade dos alimentos tem decaído de década para década, e variado de local para local e de tipo de solo para tipo de solo, o que, por si, só já torna toda a “ciência” da Nutrição Humana imprecisa visto que é baseada em “Tabelas de Conteúdo Nutricional” com mais de 60 anos de idade.

Por outro lado, já existem igualmente alguns estudos que demonstram que alimentos produzidos pelo sistema biológico apresentam um maior teor de nutrientes principalmente, minerais, proteínas e vitaminas.

O Prof Albrecht colocou muito bem a questão quando afirmou que : “Nós sucumbimos a idéia de que a Agricultura pode ser transformada em um processo industrial. Porém, a verdade é que ela é um processo biológico” ( …. )

Por mais sofisticado que seja o parque industrial agrícola, a Agricultura ainda é um processo biológico e sob esse aspecto deve ser administrada ( ….. )

O Dr Carey Reams, criador do sistema conhecido por “Ionização Biologica”, assunto que será abordado em outro capitulo, nas décadas de 50 e 60, chegava a conclusão que o Cálcio e o Fósforo eram de primordial importância na nutrição vegetal porque os mesmos propiciavam a melhor absorção dos demais minerais, fazendo com que as plantas exibissem um maior teor de sólidos solúveis, tornando-as imunes ao ataque de pragas e doenças, além de apresentarem uma elevada densidade nutricional.

Os alimentos oriundos da agricultura convencional apresentam baixos teores de sólidos solúveis (Brix) além de teores inferiores de minerais, açucares, vitaminas e proteínas. Por outro lado, os alimentos provenientes de cultivos biológicos exibem teores mais elevados de açucares, proteínas, minerais e vitaminas e coincidentemente são também os que apresentam safras adequadas e até mesmo recordes como os vegetais que podem ser observados em:

http://www.recordholders.org/en/records/vegetables.html

Estive pessoalmente com o John Evans em 2002 que me assegurou usar somente métodos naturais e orgânicos na produção de suas hortaliças gigantes, nove delas com registro de recordes no livro Guiness, tendo como base da sua fertilização o emprego do Extrato de Composto aerado ou Compost Tea, que será abordado em outro capítulo adiante.

Portanto, é possível produzir-se alimentos com elevados teores nutricionais e em quantidades iguais ou superiores ao sistema convencional, ao mesmo tempo em que se preserva o meio ambiente e se melhora o solo.

Fica então a mensagem da Agricultura Biológica : Podemos produzir alimentos isentos de contaminantes químicos, mas também com produtividade acima da média da agricultura convencional e (o mais importante) com conteúdo nutricional bem superior aos demais alimentos provenientes do sistema convencional que privilegiam o engessado sistema de N-P-K , por meio de práticas e sistemas que restabeleçam a fertilidade original dos solos, desde que nos esforcemos para providenciar às plantas o ambiente necessário para que possam expressar todo o potencial contido no seu código genético.

John Evans e inúmeros outros agricultores, até mesmo o brasileiro que conseguiu produzir 92 sacas de soja por hectare utilizando métodos biológicos tais como Biofertilizante MICROGEO, multiplicação de organismos biológicos como Bacillus subtilis, Bacillus thuringiensis, Bacillus pumilis, etc… com o meio de cultura MULTIBACTER e outras práticas conservacionistas, foram capazes de provar que existe muito a ser feito usando os atuais códigos genéticos das plantas sem a necessidade de modifica-los. Aquelas super produções alcançadas e as hortaliças gigantes obtidas por métodos biológicos que também incluem o uso de humatos solúveis, extratos de Ascophyllum nodosum, Hidrolisado de Peixe, etc…., nos dão a exata ideia da nossa ignorância com relação ao potencial genético dos vegetais.

Se não modificarmos nossa forma de encarar a realidade e continuarmos a privilegiar o lucro financeiro, o chamado Agronegócio irá eventualmente levar toda a humanidade a falência ambiental.

Portanto, uma mudança de paradigma torna-se necessária de forma radical e urgente. Solos doentes irão gerar Safras doentes que irão gerar Homens e Animais Doentes. Não existe nenhum tipo de atalho nessa situação. É preciso reconstruir o solo de maneira urgente porem sustentável e a Agricultura Biológica é o melhor caminho.

Jose Luiz M Garcia

Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

 

Agricultura Nutricional – Uma nova proposta

A ciência biológica contemporânea caracteriza-se pelo estudo de áreas do conhecimento de forma totalmente isoladas e estanques. Assim, o Nutricionista desconhece como os alimentos que utiliza no seu trabalho diário são produzidos e usa, ainda hoje, tabelas de composição de alimentos totalmente velhas e ultrapassadas, desconhecendo o fato essencial, para o exercício da sua profissão, de que a composição química dos alimentos é uma função direta da fertilidade do solo.

E a fertilidade do solo pode variar de acordo com a época do ano, local, pluviosidade, composição química desse próprio solo, relêvo, clima e principalmente com a atividade microbiológica desse solo e o tipo de manejo agrícola, convencional quimicalizado com ênfase no N-P-K ou Biológico, Orgânico, Ecológico, etc.. que enfatizam todos os 94 elementos naturais da Tabela Periódica.

Os alimentos foram feitos para alimentar as pessoas e os animais, ou pelo menos deveriam ser. Entretanto, com o advento do chamado Agronegócio, os alimentos hoje não passam de commodities ou seja, de moeda de troca ou ativos, cujo principal objetivo é o de ser trocado por moeda corrente, ficando a Nutrição, diga-se de passagem, em segundo plano. A Nutrição passou a ser um sub-produto do processo de produção de alimentos. Eu já tive a oportunidade de escrever sobre esse aspecto anteriormente ( 3 ).

Recentemente, o Bushel do Milho ( uma medida volumetrica americana padrão usada há séculos ) foi reduzido, por decreto oficial nos EUA, das suas tradicionais 56 libras para apenas 54 libras porque fica cada vez mais dificil para o milho transgênico atingir o peso padrão em virtude da sua menor densidade ( 11 ).

A palavra “cultura” vem do latim cultura ou culturae, uma forma de colere, que significa cultivar o solo e suas criaturas, animais, plantas, fungos e bactérias. Hoje, na produção de alimentos, o termo “cultura” foi substituido por “negócio”. A cultura, entretanto, foi o que nos tornou seres humanos civilizados. Cultura significa a totalidade de tudo que nós, sêres humanos, queremos passar de geração a geração em termos de linguagem, literatura, música, arte, conhecimento científico, crenças, assim como a culinária e as práticas agrícolas sustentáveis. Por outro lado, o único objetivo do chamado Agronegócio é unica e exclusivamente o lucro.

Hoje em dia não deve ser mais novidade para ninguém que o Agronegócio sequestrou a nossa civilização com todo um processo de produção de alimentos vazios e obesogênicos. Onde quer que você vá, poderá observar o que Manning chamou de Sociedade Obesogênica ( 9 ) com pessoas de aspecto “extrusado”, resultado do consumo de alimentos de baixíssima qualidade nutricional.

O médico, da mesma maneira, pouca informação dispõe sobre como foram produzidos e quais nutrientes esses mesmos alimentos contém ou deveriam conter e desconhece que efeitos diretos e indiretos as substancias químicas, utilizadas nessas lavouras, teriam sobre seus pacientes. Hoje, igualmente, é reconhecido que alguns agrotóxicos usados na Agricultura são apontados como sendo a origem de inúmeras das chamadas doenças modernas. Também já tive oportunidade de escrever e de palestrar sobre isso ( 4, 5 ).

O conceito de dividir para governar ou dividir para reinar foi pela primeira vez usado pelo Imperador romano Cesar (divide et impera) e depois por diversos outros conquistadores como Napoleão e tem se mostrado bastante eficiente no que diz respeito ao controle de populações. O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se agrupem.

É um conceito muito usado até hoje na politica e tem sido esse conceito basilar que mantém as diversas areas do conhecimento sem a devida comunicação entre si, e de forma totalmente estanque, para que sejam facilmente manipuladas e controladas pelos interesses econômicos envolvidos.

Em todas as áreas da ciência, mas notadamente na Medicina, estimula-se o “Especialismo”, ou seja, sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos. O médico Dr. David Perlmutter, no seu excelente livro Amigos da Mente, afirma que “todo o campo da Medicina se caracteriza por disciplinas separadas, divididas por parte do corpo ou sistemas individuais” e ”É um ponto de vista completamente desconectado da ciência atual” ( 1 ).

Esse aspecto fragmentado da ciência, aparentemente correto, de se lidar com as diversas áreas do conhecimento, ao invés de formar as pessoas, faz com que individuos cada vez mais desinformados, sejam alçados a posições-chave na estrutura técnico-científica da nossa sociedade. O “Especialismo” ao invés de formar indivíduos cada vez mais letrados, só está gerando mais alienação científica e desinformação erudita.

Essa simples constatação pode elucidar muito do que acontece, hoje em dia, onde a Ditadura Científica reina absoluta sobre todos os demais poderes.

Teoricamente, as democracias estariam alicerçadas nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, porem a Academia conseguiu elevar o seu poder acima de todos os poderes porque será ela quem, em ultima analise, irá opinar sobre todo e qualquer assunto, problema ou sobre o que é “certo ou errado”. A Academia detém esse poder e o exerce de forma ditatorial. Tente veicular qualquer opinião ou ponto de vista divergente do pensamento oficial acadêmico e conhecerá esse poder ao qual me refiro.

Podemos traçar um paralelo entre o desenvolvimento do “Especialismo” com o desenvolvimento das mega empresas do ramos da Agricultura/Nutrição/Medicina. Afinal de contas, as mega empresas usam a Ditadura Científica a seu favor no momento em que contratam e mantém as pessoas que foram tituladas e que supostamente seriam os repositórios oficiais do saber, para validar as suas tecnologias e seus produtos, muitas vezes com consequencias desastrosas para toda a humanidade, como no caso do Glifosato na Agricultura, dos alimentos transgênicos, no caso da mentirosa relação entre gorduras saturadas e doenças coronarianas, da falácia do leite como fonte de Cálcio, na Nutrição e Medicina e até mesmo a liberação de medicamentos com efeitos prejudiciais como o Vioxx, e outras 181 drogas retiradas do mercado, por terem efeitos reconhecidamente nocivos a saúde humana após terem sido aprovadas pelas agencias regulatórias ( 8 ). Todos eles recebem ou receberam o beneplácito da Ditadura Científica.

Ao manter o conhecimento em espaços estanques, conseguem de maneira eficaz fazer o que Cesar e Napoleão preconizavam, ou seja, dividir para governar, e com isso manter o absoluto controle sobre a sociedade atual.

Foi Hipócrates, o médico grego que seria o pai da Medicina moderna, quem primeiro afirmou ainda no século III A.C. que “todas as doenças começam no intestino”, muito antes de termos qualquer prova ou teoria que explicasse essa idéia.

Nessa época, nem mesmo a existência das bactérias era conhecida, até que Leeuwenhock, fez suas próprias observações e pode constatar a existência de organismos os quais chamou de animalculos, como anteriormente informado ( 2 ).

Esse foi realmente o pai da microbiologia, muito embora Pasteur, o mesmo que deu inicio a microbiofobia e que possibilitou a criação das diversas empresas que hoje exibem mais poder e força do que muitos paises e que se situam acima desses mesmos paises e governos, seja frequentemente apontado como o pai da Microbiologia.

Entretanto, foi o biológo russo Élie Mechnikov, ganhador do Prêmio Nobel, quem primeiro traçou um vínculo direto entre a longevidade do homem e um equilibrio saudável das bactérias intestinais, afirmando que “a morte começa no cólon”.

Com a recente constatação de que nós humanos seríamos “donos” do DNA de apenas 10% do do total de células existentes no nosso corpo ( 6 ) vem a tona a seguinte pergunta : Qual das atuais areas do conhecimento humano teria o especialista responsável por esse terreno que diz respeito a 90% das células existentes no nosso corpo ?

Os Médicos ? Com certeza que não. Até hoje eles não estão nem um pouco interessados nessa seara. Existem raríssimas e honrosas exceções como o Dr Perlmutter ( 1 ) e diversos outros.

Os Microbiologistas ? Duvido muito. Esses sofrem de uma deformação cultural e científica, já anteriormente abordada, que os impedem de ver a convivência benéfica compartilhada desses organismos ( 2 ), e uma certa tendência “de berço “ a considerar toda bactéria como uma coisa maléfica e nociva.

Os Nutricionistas estariam entre os profissionais que mais se interessam por esse campo mas, de novo, falta-lhes o necessário cabedal no que diz respeito a inter-relação que existe entre o solo, as plantas, o microbioma intestinal e a saúde das pessoas e dos animais.

A grande e inegável verdade é que a origem da nossa saúde está, e estará sempre, ligada ao solo. Esse mesmo solo que o Agronegócio insiste em tratar como um suporte inerte que irá depender sempre de fertilizantes químicos para produzirem commodities e não alimentos para nutrir as pessoas e os animais.

Qual seria então o profissional responsável pelo nosso Microbioma Intestinal ?

Seriam necessários sólidos conhecimentos sobre o solo e a sua microbiologia. Afinal de contas esses microrganismos benéficos ao nosso organismo tem sua origem no solo e no meio ambiente, e na sua inter-relação com as plantas. Teria que ter a exata noção do que vem a ser Humus, a base da fertilidade perpétua e alimento da microflora do solo, sobre os minerais que o constituem e sobre a sua importância na nutricão das plantas, animais e seres humanos.

E finalmente, esse profissional, deveria conhecer como as lavouras são conduzidas para que exibam a maior densidade nutricional possível pela utilização de ferramentas do sistema biológico de cultivo como Compost Tea, Extratos de Algas soluveis, Humatos solúveis, Hidrolizado de Peixe, Bactérias Benéficas específicas multiplicadas, e ser capaz de escolher as melhores frutas e hortaliças para serem consumidas pela medição do Brix desses produtos.

O que nós precisamos, dada a importância da Microbiota Intestinal, é de um profissional que se dedique exclusivamente a cultivar esse “jardim ou horta” que existe dentro de nós. E para fazer isso terá que ter conhecimentos sólidos baseados em ciência real, e não em meias verdades, que transcendam a uma única formação acadêmica formal e totalmente desvinculada do atual conhecimento atrelado, cooptado e ditado pelas empresas supranacionais.

Seria interessante que tivessem igualmente conhecimento das dietas tradicionais dos diversos povos, principalmente daqueles cujas populações tenham uma maior porcentagem de indivíduos centenários e que sempre previlegiaram os alimentos fermentados como Leite e Queijos Fermentados e Manteiga (ou Ghee) oriundos de leite de gado à pasto, acidos graxos saturados (como Óleo de Côco), acidos graxos Monoinsaturados (Azeite de Oliva), Fontes naturais de EPA e DHA, vegetais, frutas e grãos fermentados e que respeitem todos esses organismos não só como nossos ancestrais mais sim como uma força co-evolucionária que existe dentro de nós (10).

Portanto, é proposta a criação de uma nova disciplina que poderá fazer parte dos cursos de Nutrição, Agronomia, Zootecnia e Medicinas Veterinária e Humana, que possibilite que esses profissionais tenham uma visão ampla da origem da saúde do solo, das plantas e dos animais e das pessoas e que essa formação lhes possibilitem fazer a união entre os diversos ramos do conhecimento humano, há muito tempo perdida pela compartimentalização do conhecimento imposta pela Ditadura do Conhecimento.

Não podemos nos esquecer, afinal de contas, que a Inteligência Artificial é um espectro que ameaça toda e qualquer profissão que tenha abrangência muito restrita como o Especialismo tem propiciado e, sendo assim, no futuro, quando mais eclética for a sua formação tanto melhor serão as suas chances de sucesso, em um mercado de trabalho, espera-se, cada vez mais restrito e competitivo.

Aos computadores serão destinadas todas as funções passíveis de serem executadas por advogados, médicos, engenheiros e até mesmo nutricionistas. O computador médico Watson já provou ter mais acertos em diagnósticos do que médicos humanos, justamente porque foi alimentado com informações de todas as areas da Medicina incluindo as medicinas alternativas como Ayurveda, Quiropratica, Osteopatia, Homeopatica e outras.

O futuro acena para o ecletismo e não para a especialização. Estejamos preparados para a Revolução da Informática, que irá finalmente depor a Ditadura do Conhecimento.

Caso alguém ainda não saiba, essa revolução já começou.

José Luiz M. Garcia

Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

Agricultura Biológica

DEZ RAZÕES PARA ABRAÇAR ESSA IDÉIA

O fracasso da Agricultura Orgânica em conseguir aumentar a área plantada no mundo acima dos ridículos 1,1% ( 1 ) em quase 100 anos de existência, fez com que os agricultores mais progressistas se cansassem de esperar por essa via e buscassem novas alternativas de modelos tecnológicos agrícolas que também respeitassem o meio ambiente.

Inconformados com o fraco desempenho do modêlo orgânico e suas outras vertentes, como agroecologia, agroflorestal, biodinâmica, sintrópica, etc… e não querendo igualmente se engajar na constante destruição do meio ambiente, via agricultura convencional suicida, buscaram esses produtores uma forma de resgatar a idéia original dos fundadores da agricultura orgânica que era a de produzir alimentos de maior valor nutritivo que realmente servissem para nutrir as pessoas, e não, e tão somente, uma suposta isenção de contaminantes químicos, numa época em que a ciência já demonstrou ser essa pretenção praticamente impossível após o advento do glifosato, que hoje está omnipresente (no solo, na agua e no ar) em praticamente todo o planeta ( 2, 3 ).

Desse inconformismo, com ambas correntes de pensamento, foi que surgiu a BioAgronomia ou Agricultura Biológica como uma terceira via que visa além da redução de custos, a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente, a isenção de contaminantes até aonde for possível, a melhoria da qualidade e também a densidade nutricional de frutas e grãos, garantindo dessa forma uma melhor nutrição a todos, o que deveria ser o objetivo maior da produção de alimentos.

Entretanto, existem razões de sobra para abraçarmos a idéia de uma nova agricultura biológica ou BioAgronomia, o que agora passamos a enumerar ( 4 ).

Razão Número 1. O atual modelo químico agrícola atual preenche tranquilamente a definição de insustentabilidade, ou seja, cada vez mais produtos químicos são usados por ano e mesmo assim a pressão de insetos e doenças aumenta ano a ano ( Em 2016 foram usados 1,1 milhões de toneladas de produtos químicos ).

Razão Número 2. Um índice razoável da medida do sucesso de uma sociedade seria o status da saúde das suas crianças. Em um recente estudo americano, que involveu 1.400 escolas infantis, as crianças foram monitoradas para a presença de 13 dos produtos químicos mais utilizados na agricultura. Para horror dos pesquisadores, todas as crianças tinham niveis inaceitáveis de todos aqueles 13 produtos químicos agrícolas.

Razão número 3. A recente tendência em todas as avaliações da vida do solo, revelou uma dizimação de organismos-chave presentes no solo que incluem minhocas, protozoários, digestores de celulose, fixadores de nitrogênio, solubilizadores de fósforo, e vários organismos responsáveis pela solubilização e entrega de nutrientes,
como micorrizas, devido a ação do glifosato, entre outros.

Razão Número 4. A baixa fertilidade do solo significa uma nutrição pobre para os animais e para as pessoas ( Relatório da OMS recente ). A disponibilização dos minerais do solo é uma função do equilíbrio mineral e biológico.

Razão Número 5. A Agricultura Convencional é o maior contribuidor para a produção dos gases que causam o efeito estufa, incluindo 25% da produção mundial de CO2, 60% do metano e 80% do óxido nitroso ( que é 310 vezes mais poluente que o CO2 ).

Razão Número 6. Se o mundo fosse capaz de reduzir em 100% as emissões de CO2 amanhã, então em 200 anos o nosso nível atmosférico voltaria aos níveis de 1975 (que ainda seriam muito elevados). Nós estamos acorrentados em um modo de auto destruição e a única salvação possível seria por meio da própria Agricultura.

Razão Número 7. Créditos de Carbono devido ao aumento de Humus no solo são uma necessidade urgente. O aumento do ter de Humus do solo em apenas 1% nos solos americanos, por exemplo já contribuiria para a remoção de 4,5 bilhões de toneladas dos 8 bilhões de toneladas geradas anualmente pelos EUA.

Razão Número 8. A formação de Humus no solo é um processo biológico, de modo que qualquer ação ou medida que tenha impacto prejudicial nessa formação será considerada como inaceitável a um determinado ponto, e isso incluiria o plantio convencional entre outros.

Razão Número 9. Um sistema agrícola baseado no petróleo e seus derivados (fungicidas, inseticidas, herbicidas, fertilizantes e diesel) tem um prazo de validade bem definido, na medida em que os preços do petróleo continuem a subir indefinidamente. Agricultores mais inteligentes já reconheceram a necessidade de reduzir a sua dependência da petroquímica, reduzindo dessa maneira os seus custos.

Razão Número 10. A paixão pela sua profissão e atividade escolhida, realmente não tem preço. Duvido que alguem, em sã consciência, se sinta inspirado ou gratificado pelo constante envenenamento do seu ambiente de trabalho e do alimento que está sendo produzido. Hoje em dia não existe mais espaço para nenhum tipo de paixão pelos venenos.

É preciso que govêrno e governantes sejam convencidos da necessidade de se usar a verdadeira ciência e a tecnologia para desenvolverem com urgência uma metodologia que possibilite a avaliação do aumento da quantidade de humus gerado no solo com a finalidade de monitoramento desse nível e assim fazendo, do grau de eficiência desses mesmos agricultores em fazer uma agricultura que respeite a natureza e, se for o caso, premiar aqueles que trabalham pelo seu constante incremento.

Os agricultores mais conscientes mereçem, sem sombra de dúvidas, ser remunerados por esse trabalho de auxílio a Natureza e redução dos níveis de carbono atmosférico com base na formação de Humus no solo.

Nesse aspecto ajudaria muito a leitura do artigo “O Mundo sob o nossos pés” também disponível nesse mesmo blog em : https://institutodeagriculturabiologica.org/2016/12/07/o-mundo-embaixo-dos-nossos-pes/

Hoje sabemos que é o Humus do solo quem teria essa capacidade regenerativa de fixar todo esse carbono que foi liberado pela queima desses estoques gigantescos de “ fotossíntese pré-histórica ”, como o saudoso Jerry Brunetti gostava de dizer ( 5 ), representada pelos combustíveis fósseis e dessa forma a produção de Humus, via atividade microbiológica do solo, seria a principal ferramente de que dispõe o agricultor para ajudar o planeta nesse esforço de recuperação ambiental.

Em outras palavras, a solução para o nosso maior problema ambiental, isto é, efeito estufa provocado pela liberação de CO2 , e demais gases, bem como a diminuição de nitrogênio que está acidificando o nível dos mares, reside na própria Agricultura.

A Austrália é um país muito progressista. É talvez o lugar onde exista menos restrições a qualquer tipo de pensamento e de idéias e, talvez seja por isso , que foi lá onde a agricultura orgânica tenha atingido o seu maior nível de aceitação ( 23% das áreas da Australia já são manejadas orgânicamente ).

Foi lá que a Dra. Christine Jones desenvolveu um sistema para acreditação de carbono no solo, para fins de obtenção de créditos referentes a esse sequestro de carbono ( 6 ). Já estaria mais do que na hora de conhecermos melhor esse sistema e tentar adapta-los às nossas condições.

Produzir alimentos limpos, com maior densidade nutricional, e ainda por cima aumentar o teor de Humus no solo, deveria ser o objetivo de qualquer sistema agrícola no presente e no futuro, independente do rótulo.

José Luiz M. Garcia

Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

Mandioca – Uma receita

Neste vídeo Ernst Gotsch apresenta uma nova maneira de preparar mandioca. Com um processo semelhante ao da silagem, aproveita 100% da raiz e se beneficia das vantagens nutricionais da fermentação.

Fonte: Agenda Gotsch

Aprenda a fazer compostagem 100% vegetal e gere seu próprio adubo orgânico

A Compostagem 100% vegetal utiliza matérias-primas renováveis e abundantes para obtenção de fertilizantes e substratos orgânicos, também conhecidos como adubos naturais. Aproveita resíduos e subprodutos de origem vegetal, que são isentos ou apresentam reduzida carga de contaminação química e biológica. É uma técnica muito simples, que pode ser utilizada com baixo custo e com reduzido emprego de mão-de-obra.

Fonte: Embrapa