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O papel da Agricultura na nutrição humana

O papel da Agricultura na nutrição humana

Embora a maioria das pessoas não se dê conta, o papel dos alimentos é o de nutrir as pessoas e os animais de criação. Ou pelo menos deveria ser. Embora, essa afirmação possa parecer óbvia ela, na verdade, passa desapercebida da maioria das pessoas.

Na verdade, já faz algum tempo que os alimentos são produzidos para que sejam trocados por dinheiro. Transformaram-se em “commodities ” . Uma commodity é simplesmente uma “mercadoria “ ou algo dotado de um valor de troca por moeda. Commodity geralmente descreve mercadorias de “baixo valor agregado”.  Quando se deseja verificar o valor de milho, soja, trigo, algodão, café, etc… recorre-se ao caderno de Economia de qualquer jornal ou site de Economia.

Ou seja, alimentos passaram a ser sinônimos de dinheiro e a nutrição, dessa forma, passou a ser um sub-produto do processo de produção de alimentos, ou seja, do processo de geração de riquezas.

Esse enfoque distorcido da realidade, foi percebido já na década de 20 do século passado pelo Dr Rudolf Steiner e seus seguidores, quando deram conta de que os alimentos produzidos em larga escala à base de fertilizantes químicos não estavam nutrindo as pessoas devidamente e já afirmava :

“De fato, pouca gente sabe que durante as últimas décadas os produtos agrícolas, dos quais a nossa vida depende, degeneraram-se extremamente rápido “. E ao mesmo tempo fazia a seguinte pergunta : Quantas décadas mais serão necessárias para que os alimentos não mais sirvam para a alimentação humana ? ( ……)

Quase que ao mesmo tempo, no Japão, Meishu Sama (Mokiti Okada) lançava as bases da sua Agricultura da Natureza (no Brasil traduzido erroneamente como Agricultura Natural) baseada em 5 princípios básicos, sendo que o primeiro deles era: – A Agricultura da Natureza deve produzir alimentos de alta qualidade para a melhoria da saúde humana “. ( ……)

Na década de 40, o Prof. Emérito de Agronomia William Albrecht, PhD, Chefe do Departamento de Solos da Universidade do Missouri, alertava para o fato de que alimentos produzidos à base de N-P-K não forneciam a nutrição adequada e declarava que “ as formulas de adubo contendo somente N, P e K, como as usadas universalmente na agricultura moderna significam má nutrição, ataque por fungos e bactérias, maior incidência de ervas (mato), perdas provocadas pela seca e perda geral da acuidade mental da população, levando a doenças degenerativas e morte prematura “. ( ……)

Eu enfoquei esse assunto no artigo “O Alto Custo de um Sistema Agrícola Falido “ publicado em 2002 na internet e em 2015 nesse mesmo Blog.

Outro artigo enfocando sempre essa problemática foi também escritos, como  “ A Desmineralização crescente dos solos como fator determinante do aumento da incidência das doenças degenerativas ” apresentado no Simpósio sobre Agricultura e Saúde, Hotel Glória- Rio de Janeiro, Julho de 2000. ( ……)

No Brasil, o processo de empobrecimento dos solos que irão gerar alimentos carentes de minerais e demais nutrientes, aparentemente, começou muito antes do descobrimento do nosso país pelos portugueses, pois como é amplamente sabido, os solos brasileiros estão entre os mais velhos geologicamente falando e portanto, entre os mais intemperizados e de baixa fertilidade no planeta.

Na minha opinião, e tenho certeza ser essa a primeira vez em que se apresenta tal teoria, o fato dos habitantes nativos praticarem o canibalismo, é uma indicação segura de que havia carência mineral entre os habitantes daquela época, e em consequência dos solos. Em animais é sabido que o canibalismo é uma prática ligada a carência de minerais, muitas vezes mal interpretada pelos criadores, e que a suplementação mineral desestimula esse habito. De fato, hábitos alimentares degenerados entre os animais tais como, comer terra, comer reboco de construções, comer restos de ossos, são indicações seguras de carência mineral, principalmente cálcio e fósforo.

Pesquisas da National Science Foundation em animais nos diz que eles precisam de pelo menos 45 minerais, 12 amino ácidos essenciais, 16 vitaminas e 3 ácidos graxos essenciais. De acordo com o médico Dr Garry P.Todd, M.D. , o corpo humano necessita de pelo menos 60 minerais para uma nutrição ótima e, basicamente dos mesmos outros nutrientes essenciais que os animais, porém somente 8 minerais estariam disponíveis nos alimentos consumidos hoje em dia, o que torna praticamente impossível obter-se todos os minerais necessários pôr meio da alimentação convencional ( …..)

“A maioria dos solos em todas as regiões do globo encontram-se esgotados de suas reservas minerais não sendo, portanto, possível obter-se os minerais necessários a uma boa nutrição” ( …..)

As carências (e os desequilíbrios) minerais tem sido apontadas como responsáveis pôr um grande número de doenças degenerativas tais como fibrose cística, osteoporose, cardiomiopatia, cerebroplasia, diabetes, atrofia testicular além de várias outras.

Todo o sistema agrícola de pesquisa, ensino e extensão se esforçam para gerar e transmitir tecnologias que promovam a produção de mais  “Toneladas por hectare”,     “ Sacas por hectare” ou “Caixas por hectare”, sem jamais se preocupar com o conteúdo nutricional desses alimentos, partindo do pressuposto de que todos os alimentos, por categoria, contém a mesma composição, o que sabemos não ser verdade.

Vários estudos demonstraram que a qualidade dos alimentos tem decaído de década para década, e variado de local para local e de tipo de solo para tipo de solo, o que, por si, só já torna toda a “ciência” da Nutrição Humana imprecisa visto que é baseada em “Tabelas de Conteúdo Nutricional” com mais de 60 anos de idade.

Por outro lado, já existem igualmente alguns estudos que demonstram que alimentos produzidos pelo sistema biológico apresentam um maior teor de nutrientes principalmente, minerais, proteínas e vitaminas.

O Prof Albrecht colocou muito bem a questão quando afirmou que : “Nós sucumbimos a idéia de que a Agricultura pode ser transformada em um processo industrial. Porém, a verdade é que ela é um processo biológico” ( …. )

Por mais sofisticado que seja o parque industrial agrícola, a Agricultura ainda é um processo biológico e sob esse aspecto deve ser administrada ( ….. )

O Dr Carey Reams, criador do sistema conhecido por “Ionização Biologica”, assunto que será abordado em outro capitulo, nas décadas de 50 e 60, chegava a conclusão que o Cálcio e o Fósforo eram de primordial importância na nutrição vegetal porque os mesmos propiciavam a melhor absorção dos demais minerais, fazendo com que as plantas exibissem um maior teor de sólidos solúveis, tornando-as imunes ao ataque de pragas e doenças, além de apresentarem uma elevada densidade nutricional.

Os alimentos oriundos da agricultura convencional apresentam baixos teores de sólidos solúveis (Brix) além de teores inferiores de minerais, açucares, vitaminas e proteínas. Por outro lado, os alimentos provenientes de cultivos biológicos exibem teores mais elevados de açucares, proteínas, minerais e vitaminas e coincidentemente são também os que apresentam safras adequadas e até mesmo recordes como os vegetais que podem ser observados em:

http://www.recordholders.org/en/records/vegetables.html

Estive pessoalmente com o John Evans em 2002 que me assegurou usar somente métodos naturais e orgânicos na produção de suas hortaliças gigantes, nove delas com registro de recordes no livro Guiness, tendo como base da sua fertilização o emprego do Extrato de Composto aerado ou Compost Tea, que será abordado em outro capítulo adiante.

Portanto, é possível produzir-se alimentos com elevados teores nutricionais e em quantidades iguais ou superiores ao sistema convencional, ao mesmo tempo em que se preserva o meio ambiente e se melhora o solo.

Fica então a mensagem da Agricultura Biológica : Podemos produzir alimentos isentos de contaminantes químicos, mas também com produtividade acima da média da agricultura convencional e (o mais importante) com conteúdo nutricional bem superior aos demais alimentos provenientes do sistema convencional que privilegiam o engessado sistema de N-P-K , por meio de práticas e sistemas que restabeleçam a fertilidade original dos solos, desde que nos esforcemos para providenciar às plantas o ambiente necessário para que possam expressar todo o potencial contido no seu código genético.

John Evans e inúmeros outros agricultores, até mesmo o brasileiro que conseguiu produzir 92 sacas de soja por hectare utilizando métodos biológicos tais como Biofertilizante MICROGEO, multiplicação de organismos biológicos como Bacillus subtilis, Bacillus thuringiensis, Bacillus pumilis, etc… com o meio de cultura MULTIBACTER e outras práticas conservacionistas, foram capazes de provar que existe muito a ser feito usando os atuais códigos genéticos das plantas sem a necessidade de modifica-los. Aquelas super produções alcançadas e as hortaliças gigantes obtidas por métodos biológicos que também incluem o uso de humatos solúveis, extratos de Ascophyllum nodosum, Hidrolisado de Peixe, etc…., nos dão a exata ideia da nossa ignorância com relação ao potencial genético dos vegetais.

Se não modificarmos nossa forma de encarar a realidade e continuarmos a privilegiar o lucro financeiro, o chamado Agronegócio irá eventualmente levar toda a humanidade a falência ambiental.

Portanto, uma mudança de paradigma torna-se necessária de forma radical e urgente. Solos doentes irão gerar Safras doentes que irão gerar Homens e Animais Doentes. Não existe nenhum tipo de atalho nessa situação. É preciso reconstruir o solo de maneira urgente porem sustentável e a Agricultura Biológica é o melhor caminho.

Jose Luiz M Garcia

Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

 

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