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	<title>Serviços ambientais &#8211; ECOAGRI</title>
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	<description>Comunidade agroecológica</description>
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		<title>Agricultura sintrópica e sistemas agroflorestais para um agro mais sustentável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 May 2025 22:12:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agricultura sintrópica]]></category>
		<category><![CDATA[Agrofloresta]]></category>
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		<category><![CDATA[Serviços ambientais]]></category>
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					<description><![CDATA[A agricultura sintrópica, também conhecida como agrofloresta sintrópica ou agricultura de sucessão ecológica, é uma abordagem de cultivo que busca imitar os processos naturais encontrados em ecossistemas florestais. Desenvolvida inicialmente pelo agricultor suíço Ernst Götsch na década de 1980 no Brasil, essa prática agrícola integra princípios de ecologia, botânica e agronomia para criar sistemas agroflorestais &#8230; <p class="link-more"><a href="https://www.ecoagri.com.br/agricultura-sintropica-e-sistemas-agroflorestais-para-um-agro-mais-sustentavel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Agricultura sintrópica e sistemas agroflorestais para um agro mais sustentável"</span></a></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A agricultura sintrópica, também conhecida como agrofloresta sintrópica ou agricultura de sucessão ecológica, é uma abordagem de cultivo que busca imitar os processos naturais encontrados em ecossistemas florestais. Desenvolvida inicialmente pelo agricultor suíço Ernst Götsch na década de 1980 no Brasil, essa prática agrícola integra princípios de ecologia, botânica e agronomia para criar sistemas agroflorestais altamente produtivos, regenerativos e sustentáveis.</p>
<p>A ideia central da agricultura sintrópica é promover a sucessão ecológica, ou seja, a evolução natural de um ecossistema, por meio da combinação inteligente de plantas de diferentes tamanhos, funções e ciclos de vida, de forma a criar um sistema autossustentável que melhora a qualidade do solo, aumenta a biodiversidade e otimiza a captura de água, luz solar e carbono. Continue lendo para entender mais sobre esse tipo de cultivo/manejo.</p>
<h2>O que é um sistema agroflorestal?</h2>
<p>Um sistema agroflorestal (SAF) é uma forma de manejo sustentável da terra que combina elementos florestais, da agricultura e, algumas vezes, pecuária em um mesmo sistema integrado. Essa abordagem também visa restaurar áreas degradadas, melhorar a saúde do solo e reduzir o uso de químicos na plantação ao mesmo tempo em que promove a conservação dos recursos naturais e a biodiversidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-21946" src="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-o-que-e.png" alt="" width="621" height="299" srcset="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-o-que-e.png 621w, https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-o-que-e-300x144.png 300w" sizes="(max-width: 621px) 100vw, 621px" /></p>
<p>O SAF é um sistema produtivo regenerativo. Ele envolve o cultivo de culturas agrícolas combinado com o plantio de árvores ou arbustos concomitantemente ou um após o outro. Essas árvores e arbustos podem ser nativos ou não, frutíferos e/ou madeireiros.</p>
<p>A abordagem procura imitar os padrões ecológicos encontrados em ecossistemas naturais, aproveitando os benefícios da sinergia entre os diferentes componentes. Os sistemas agroflorestais são vistos como contraste aos sistemas de monocultura porque adotam uma abordagem mais holística e ecológica, promovendo a preservação dos ecossistemas, resiliência agrícola e a promoção de práticas agrícolas mais equilibradas.</p>
<h2>Como funciona um sistema agroflorestal?</h2>
<p>Os sistemas agroflorestais funcionam com base na interação harmoniosa entre as diferentes espécies presentes na área de cultivo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-21945" src="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-como-funciona.png" alt="" width="617" height="558" srcset="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-como-funciona.png 617w, https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/agrosustentavel-como-funciona-249x225.png 249w" sizes="(max-width: 617px) 100vw, 617px" /></p>
<p>As árvores desempenham múltiplos papéis, como fornecer sombra, proteger o solo da erosão, atrair polinizadores, fornecer habitat para a fauna local e, em alguns casos, produzir madeira, frutas, castanhas ou outros produtos de valor comercial ou para o consumo próprio.</p>
<p>Os cultivos agrícolas são plantados entre as árvores, aproveitando os benefícios da sombra, da ciclagem de nutrientes, do enriquecimento do solo por matéria orgânica e da proteção contra pragas e doenças promovida pela diversidade.</p>
<p>Além disso, existem sistemas silvipastoris, que também integram a agrofloresta como com a presença de galinhas, porcos ou gado e que podem complementar a produção, contribuindo para o ciclo de nutrientes e fornecendo uma fonte adicional de renda para os agricultores.</p>
<p>As diferentes espécies presentes no SAF interagem de maneira complementar, criando sinergias que beneficiam o ecossistema como um todo e promovem o uso eficiente de recursos como água e nutrientes do solo.</p>
<h2>Vantagens e desafios do sistema agroflorestal</h2>
<h3>Vantagens</h3>
<ul>
<li>Diversificação da produção agrícola: a produção de uma ampla variedade de alimentos e produtos em uma mesma área aumenta a segurança alimentar e a resiliência do sistema.</li>
<li>Conservação da biodiversidade e dos recursos naturais: a pluralidade de espécies e habitats contribui para a conservação da biodiversidade e a proteção dos ecossistemas locais.</li>
<li>Melhoria da fertilidade do solo: a presença de árvores e a utilização de práticas agroecológicas melhoram a fertilidade do solo, reduzem a dependência de fertilizantes químicos e promovem a sustentabilidade em longo prazo.</li>
<li>Redução da necessidade de insumos químicos: a integração de diferentes espécies vegetais e animais ajuda a controlar pragas e doenças de forma natural, reduzindo a necessidade de pesticidas e herbicidas.</li>
<li>ração de renda adicional: as árvores plantadas podem gerar produtos madeireiros e frutíferos, podendo ser comercializados.</li>
<li>Compensação do carbono: de acordo com o pesquisador da Embrapa Eufran Amaral, em áreas com sistemas agroflorestais a diversidade de espécies com variados estratos florestais e sistemas radiculares promove o aumento gradativo da biomassa florestal e da matéria orgânica. Além de proteger o solo e melhorar a biodiversidade local, esse processo natural ajuda na regulação climática e conservação dos recursos hídricos, fatores que favorecem a ampliação dos estoques de carbono (CO₂) nesses locais e indicam que os SAFs podem viabilizar a prestação de serviços ambientais em comunidades rurais da Amazônia.</li>
</ul>
<h3>Desafios</h3>
<ul>
<li>Dificuldade de mecanização: a presença de árvores e a diversidade de culturas podem dificultar a utilização de maquinário agrícola, exigindo métodos de cultivo com mais mão de obra.</li>
<li>Escolha do arranjo produtivo/conhecimento do mercado (mão de obra especializada): a escolha do consórcio/arranjo produtivo é primordial para se ter uma agrofloresta economicamente viável. Além disso, agroflorestas requerem técnicas e conhecimentos específicos, diferentes daqueles da agricultura tradicional, com os quais os produtores geralmente estão mais familiarizados.</li>
<li>Escala: em relação à escala, não é possível, ainda, competir com uma monocultura de soja de 10 mil hectares, por exemplo. Mas os sistemas agroflorestais estão avançando e isso tornará possível que um dia surjam fazendas agroflorestais capazes de suplantar as monoculturas, com a vantagem de diversificação de produções. Afinal, em uma mesma área é possível cultivar diferentes grãos, hortaliças, frutas e verduras, além de se dedicar à criação de animais e ovos.</li>
<li>Financiamento: o financiamento representa um gargalo, pois as agroflorestas levam dois anos para apresentar retorno financeiro e requerem um investimento inicial que pode chegar a R$ 20 mil por hectare. Neste ponto abrem-se oportunidades, por exemplo, para fundos de investimento especializados.</li>
</ul>
<h2>Impactos socioeconômicos dos sistemas agroflorestais</h2>
<p>Os sistemas agroflorestais têm o potencial de gerar uma série de impactos positivos tanto do ponto de vista ambiental quanto socioeconômico, como a diversificação da produção agrícola e florestal na propriedade, recomposição da paisagem, reflorestamento, recuperação de áreas degradadas, aumento da capacidade produtiva do solo, segurança alimentar e aumento de renda para o produtor e sua família, conservação ambiental, biodiversidade da flora e fauna, redução do desmatamento, das queimadas e dos impactos nas mudanças climáticas globais.</p>
<p>Assim como já mencionado, eles contribuem para a conservação do meio ambiente, mas vão além disso: promovem também a segurança alimentar.<br />
Sistemas agroflorestais e a compensação de carbono</p>
<p>Outro ponto de destaque é que os SAFs podem ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. As árvores plantadas do cultivo absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera durante o processo de fotossíntese, armazenando carbono em sua biomassa e no solo. Isso ajuda a reduzir a quantidade de CO₂ na atmosfera e contribui para diminuir o aquecimento global.</p>
<p>Esse processo faz com que os sistemas agroflorestais sejam também, ótimas ferramentas de geração de crédito de carbono ou certificados de compensação de gases de efeito estufa. Ambos não fomentam apenas a economia como também facilitam e estimulam empresas e indústrias a reduzirem a quantidade CO₂ na atmosfera do planeta.</p>
<h2>Panorama brasileiro frente à agricultura sintrópica</h2>
<p>No Brasil, o sistema agroflorestal tem sido cada vez mais adotado em diferentes regiões do país. A diversidade climática e ambiental do Brasil proporciona um ambiente propício para a implementação de SAFs adaptados às condições locais e às necessidades dos agricultores. O fato de a economia ter como um de seus pilares o agronegócio, potencializa ainda mais a disseminação desse método.</p>
<p>Segundo o último Censo Agropecuário realizado pelo IBGE em 2017, o número de agroflorestas no Brasil era de 491.400, sendo a Bahia a região com mais sistemas. Essa era a quantidade há sete anos. Atualmente esse número aumentou, principalmente com a urgência causada pelo aquecimento global e o avanço das tecnologias, trazendo assim, a necessidade de um novo Censo Agropecuário.</p>
<p>Existem políticas públicas de âmbitos federal, estadual e municipal que fomentam esse sistema. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) tem uma linha de crédito para atender aos SAFs com taxa de juros de 3%. Ainda, o governo quer lançar programa de incentivos a agroflorestas, projeto que está sendo discutido com o BNDES, BID e Petrobras; informações pronunciadas pelo ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário em uma entrevista ao Poder 360, em outubro de 2023.</p>
<p>Também existem bastantes iniciativas privadas e independentes que estimulam esses sistemas. As climate techs, os projetos institucionais e as ONGs são pioneiros nos incentivos a agroflorestas, principalmente na relação com pequenos agricultores. Essas iniciativas geralmente se atrelam à compensação de carbono na atmosfera, beneficiando a tríade: produtores, meio ambiente e empresas.</p>
<p>As climate techs são empresas que juntam inovação e tecnologia para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, além de impulsionar o desenvolvimento de uma economia sustentável e de baixo carbono. Com relação aos SAFs, as climate techs trabalham para viabilizar a existência e o manejo do sistema, impactando os pequenos agricultores e acessibilizando a remoção/redução de carbono para as empresas.</p>
<h2>Cases de climate techs brasileiras</h2>
<h3>Agroforestry Carbon</h3>
<p>A Agroforestry Carbon é uma plataforma ESG conectada ao mercado de créditos de biodiversidade agroflorestal (CBA). Essa startup tem como objetivo unir pequenos produtores de todo o Brasil a empresas interessadas em compensar suas emissões de carbono. Por meio da plataforma, as empresas podem escolher a quantidade de carbono que desejam compensar e financiar pequenos produtores agroflorestais no plantio e manejo das árvores, utilizando planos de assinatura e outros serviços, como Inventário GEE (Gases de Efeito Estufa) e calculadora de CO₂.</p>
<p>Com um crescimento notável, a Agroforestry Carbon registrou um faturamento de R$ 56 mil em 2022, valor que saltou para R$ 2,3 milhões em 2023. Além disso, recebeu reconhecimento como uma das startups com maior potencial de impacto pela Pequenas Empresas Grandes Negócios, da Rede Globo.</p>
<p>Em 2021, a Agroforestry Carbon recebeu um investimento inicial de R$ 300 mil da Regenera Ventures, que foi fundamental para concretizar a startup. Em fevereiro deste ano, a agtech lançou uma nova rodada de captação de recursos para continuar expandindo suas operações e impacto. Você pode saber mais a respeito da rodada clicando no banner abaixo.</p>
<h3>Belterra Agroflorestas</h3>
<p>A Belterra Agroflorestas é uma startup dedicada a colaborar com pequenos e médios produtores para promover práticas agroflorestais para a recuperação de áreas degradadas. O foco da sua solução é oferecer ao produtor um projeto de SAF estruturado e personalizado para a área analisada além de recursos técnicos e financeiros, podendo fazer parceria por arrendamento de terras não utilizadas, parceria rural para quem quer começar ou integração a sistemas já existentes. O capital e a monetização da operação vêm de fundos de financiamentos e grandes empresas que querem melhorar seus indicadores ESG, já que podem comprar os produtos agroflorestais ou se atrelar à compensação de carbono.</p>
<p>Fundada com recursos da mineradora Vale, que tem como meta restaurar 100 mil hectares até 2030, a startup possui grandes nomes como parceiras, como Cargill, JBS, Natura e Amazon. Os próximos passos é fazer uma rodada de equity para captar até R$ 50 milhões.</p>
<h3>WayCarbon</h3>
<p>A WayCarbon é uma empresa especializada em consultoria e desenvolvimento de soluções tecnológicas e inovadoras voltadas para a sustentabilidade. Suas principais atividades são: avaliação de emissões de gases de efeito estufa, desenvolvimento de projetos de mitigação, gestão de energia e recursos naturais e certificações ambientais.</p>
<p>Ela atende clientes de diversos setores, como empresas privadas, governos e ONGs. Sua última captação foi em 2023, numa Series B, com um valor de US$ 50 milhões.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Os Sistemas Agroflorestais representam uma abordagem inovadora e sustentável para a agricultura que tem ganhado destaque como uma alternativa viável e promissora para a produção de alimentos de forma equilibrada. Além disso, o estudo da WRI Brasil, estimou que o país tem cerca de 30 milhões de hectares degradados, e a melhor chance que temos de recuperar todas essas áreas é pelas agroflorestas.</p>
<p>Pesquisas recentes mostram também que os Sistemas Agroflorestais podem exercer um importante papel na adaptação a eventos climáticos extremos. As alterações nos padrões do clima são uma ameaça à produção agrícola em todo o mundo. Estimativas indicam que as mudanças climáticas podem reduzir a produtividade global da agricultura em 17%. O IPCC identificou o plantio em sistemas agroflorestais como uma das medidas mais interessantes para a adaptação climática, tornando as propriedades rurais mais resilientes e resistentes a pragas, secas e inundações.</p>
<p>As iniciativas existentes são potentes e demonstram que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. No entanto, é crucial que haja um esforço contínuo de todos os setores da sociedade, incluindo governos, empresas e sociedade civil, para promover e expandir os sistemas agroflorestais em larga escala. Somente assim poderemos superar os desafios ambientais e sociais que enfrentamos atualmente, garantindo o futuro das próximas gerações.</p>
<p>Fonte: <a href="https://blog.araraseed.com.br/sistemas-agroflorestais-agricultura-sintropica/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Blog Arara Seed</strong></a></p>
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		<title>Agroforestry Carbon capta R$ 1 milhão para vender serviços das agroflorestas do Brasil na Europa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 13:22:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agrofloresta]]></category>
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					<description><![CDATA[Na corrida pela diminuição de gases de efeito estufa na atmosfera, grandes iniciativas de regeneração florestal vêm despontando no Brasil, movimentando bilhões de reais em créditos de carbono em uma verdadeira indústria de plantio de árvores nativas. Paralelo a esse movimento, startups de sistema agroflorestal complementam o cenário com projetos focados no impacto, melhorando a &#8230; <p class="link-more"><a href="https://www.ecoagri.com.br/agroforestry-carbon-capta-r-1-milhao-para-vender-servicos-das-agroflorestas-do-brasil-na-europa/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Agroforestry Carbon capta R$ 1 milhão para vender serviços das agroflorestas do Brasil na Europa"</span></a></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na corrida pela diminuição de gases de efeito estufa na atmosfera, grandes iniciativas de regeneração florestal vêm despontando no Brasil, movimentando bilhões de reais em créditos de carbono em uma verdadeira indústria de plantio de árvores nativas. Paralelo a esse movimento, startups de sistema agroflorestal complementam o cenário com projetos focados no impacto, melhorando a qualidade de vida de agricultores com áreas menores, produzindo alimentos de alta qualidade e movimentando milhões de reais.</p>
<p>A Agroforestry Carbon é um exemplo deste nicho e seu potencial de crescimento rápido. A empresa pulou de um faturamento inicial de R$ 56 mil em 2022 para R$ 2,5 milhões no ano passado, e agora arrisca uma expansão na Europa em busca de clientes com cheques maiores.</p>
<p>Em vez de seguir o caminho dos créditos de carbono, que requer investimentos de milhões na aprovação de projetos, compra de áreas e capacitação de pessoal, por exemplo, a startup com base em Santa Catarina se coloca como um intermediador entre empresas que precisam compensar suas emissões e agricultores com prática comprovada em sistemas agroflorestais (SAF). Atualmente são quase 500 propriedades rurais parceiras, produzindo sete toneladas de alimentos ao ano. A meta é chegar a 70 mil agricultores cadastrados até 2030.</p>
<p>Ano após ano, estudos vêm enfatizando a produtividade da agrofloresta. Neste mês de agosto, o Instituto Escolhas publicou pesquisa que aponta que apenas na parte degradada de terras indígenas no país (1,3 milhão de hectares), os SAFs gerariam uma receita anual de R$ 153 bilhões em produtos agrícolas como frutas e legumes, com potencial de produção de 10 milhões de toneladas de alimentos por ano. O Brasil tem a meta de recuperar 12 milhões de hectares de florestas degradadas até 2030.</p>
<h2>Raio-X Agroforestry Carbon</h2>
<ul>
<li>470 propriedades agroflorestais parceiras</li>
<li>205 famílias de agricultores impactadas</li>
<li>387 hectares de sistemas agroflorestais</li>
<li>280 mil árvores plantadas</li>
<li>583 espécies diferentes de plantas</li>
<li>6.996 toneladas de alimentos</li>
</ul>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-21744" src="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/AgroforestryCarbon.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/AgroforestryCarbon.jpg 1000w, https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/AgroforestryCarbon-300x169.jpg 300w, https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/AgroforestryCarbon-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px" /></p>
<h2>Mais R$ 1 milhão em caixa</h2>
<p>Agosto foi o mês de conclusão da primeira rodada de investimento da startup, que finalizou arrecadando R$ 1,08 milhão, vindo de 101 investidores diferentes. A empresa optou por uma modalidade de investimento em que os interessados podiam entrar no negócio com aportes pequenos, a partir de R$ 1.000.</p>
<p>A opção mirou um investidor que, além do lucro, buscasse também uma motivação maior. “Várias pessoas questionaram a escolha de financiamento, mas acho que foi uma escolha muito legal, pois quando a gente fala de impacto, ter pessoas advogando pela causa é muito importante”, explica a diretora de operação, Clara Johannpeter.</p>
<p>Esse dinheiro é o segundo aporte da história da empresa, que operou em seus dois primeiros anos com o investimento-anjo de R$ 300 mil da Regenera Ventures, investidora ligada ao grupo Viva Regenera, de produtos de origem natural. O CEO da Agroforestry, Gabriel Neto, literalmente bateu na porta dos investidores durante um passeio de bicicleta em Palhoça (SC), sem saber exatamente do que se tratava. Viu a palavra “regenera” no letreiro, pensou que ia achar um cliente, e acabou com seu primeiro investidor.</p>
<p>A verba dos novos investidores deve estruturar o aumento de escala nos negócios da empresa, que pretende expandir sua atuação para 100 mil hectares até 2030, com potencial de produção de 900 mil toneladas anuais de alimentos e um plantio total de 10 milhões de árvores. A Europa é um passo importante nesse caminho, explica Neto. “É onde vamos nos transformar em unicórnio”, aposta, com uma agenda que inclui pítches em bancos, instituições de governos e também ONGs na Holanda, primeiro mercado aberto pela startup no Velho Mundo. A ideia é compensar no Brasil o carbono emitido por companhias europeias, trazendo esse recurso para os pequenos agricultores parceiros.</p>
<h2>Quatro frentes de negócio</h2>
<p>O mais recente produto da empresa, em fase de desenvolvimento no time de tecnologia, é o rastreamento dessa cadeia de suprimentos que todo o projeto da Agroforestry Carbon ajuda a fomentar. Uma vez que possui controle digitalizado sobre tudo que produz em suas agroflorestas, o próximo passo será acompanhar esses alimentos colhidos e explorar oportunidades comerciais, que podem estar tanto na medição de emissões de escopo 3, por exemplo, para empresas que querem cortar o impacto também de seus fornecedores, quanto entregar produtos ao consumidor com garantia de origem, com a possibilidade de selos atestando a neutralidade de carbono, por exemplo, além do cultivo orgânico.</p>
<p>“Falar em cadeias produtivas é importante, pois precisamos de empresas consumindo e fazendo produtos de floresta, e não de monocultura. Quando a gente fala de cadeia, fala na verdade de gerar incentivos econômicos para que a floresta fique em pé, para que as pessoas vivam de floresta. Quanto mais marcas fazendo produtos com matéria-prima de floresta, e não fontes esgotáveis, mais florestas vamos ter preservadas, por isso trazer o supply chain, temos que conectar a indústria e gerar matéria-prima de florestas para gerar produtos florestais”, analisa Johannpeter.</p>
<p>A Agroforestry Carbon entrou no mercado como provedora de projetos de compensação, administrando serviços florestais, no caso, os SAFs, pagos por companhias que precisam abater suas emissões de gases intensificadores do aquecimento global e dos eventos extremos das mudanças climáticas. Além de fornecer agroflorestas com selo de certificação, em que todo esse processo é auditado e certificado, a startup faz o levantamento das emissões das companhias clientes, e assim oferece projetos que equivalem ao impacto ambiental negativo registrado. A equipe atende ainda a projetos personalizados, sob encomenda.</p>
<p>“É importante salientar o foco em resolver problemas crônicos de desigualdade, uma crise alimentar pior que a climática, em que ficamos ou sem comida ou com comida envenenada. É algo que atinge a todos, independentemente da classe social, e a agrofloresta trabalha as duas crises em suas duas frentes, social e ambiental”, destaca o CEO.</p>
<h2>Desafio da credibilidade</h2>
<p>O mercado de soluções baseadas na natureza, especialmente no nicho do crédito de carbono, vem sendo questionado há anos, pela dificuldade em medir seu impacto real na diminuição de gases estufa, ou ainda por ser uma forma de empresas poluidoras pagarem seus “pecados” sem de fato, diminuírem suas emissões.</p>
<p>Escândalos no Brasil, como a recente descoberta de uma quadrilha que teria movimentado R$ 180 milhões usando terras públicas na Amazônia, abalam a confiança e o bolso de investidores, enquanto analistas afirmam que há um lado bom, quando as más práticas são reveladas e coibidas.</p>
<p>No caso da Agroforestry Carbon, a qualidade dos créditos oferecidos, que seriam melhor enquadrados como créditos de sociobiodiversidade, considerando redução de emissões e também a geração de impacto social e na produção de alimentos saudáveis, é feita a partir de investimento em tecnologia.</p>
<p>A startup mantém uma equipe dedicada ao monitoramento de dados geoespaciais, que analisa a evolução das agroflorestas cadastradas usando imagens de satélite, que permitem também analisar possíveis irregularidades de terreno, como instruções em áreas indígenas e terras públicas. A análise de documentação de parceiros em potencial compõe o processo de cadastro, que conta também com times contratados para atender todas as regiões e biomas do Brasil, sendo que a empresa atua em todos. “Sabemos a data do plantio, espécies, nome do agricultor, da propriedade, dados futuros de incremento de biomassa, índice de vegetação, análise da propriedade, cadastro rural, tudo que possa dar credibilidade”, explica Neto.</p>
<p>“Nossa diferença é que nosso foco é impacto, valor real, economia real, e colocar recursos financeiros, educacionais e emocionais para quem realmente está regenerando, em vez de fazer grandes áreas. Sempre temos coisas para ser melhoradas, e a tecnologia está ajudando com rastreabilidade e confiança”, avalia a diretora de operações.</p>
<p>Fonte: <a href="https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2024/09/02/agroforestry-carbon-capta-r-1-milhao-para-vender-servicos-das-agroflorestas-do-brasil-na-europa.ghtml" target="_blank" rel="noopener"><strong>Portal Um Só Planeta</strong></a></p>
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